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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Sá Carneiro, Cavaco Silva e os coleccionadores de derrotas no PSD

 

Em 36 anos de existência, o PSD só teve dois líderes claramente vencedores - os únicos que conseguiram maiorias absolutas para o partido: Francisco Sá Carneiro em 1979 e 1980 (com a sigla AD), Aníbal Cavaco Silva em 1987 e 1991. Ao longo de todo o resto da sua história, os populares democratas/sociais-democratas foram assistindo a um desfile de notáveis que conduziram o partido a épicas derrotas ou a medíocres triunfos de Pirro. Alguns desses derrotados atrevem-se a dar a táctica ao actual líder, praticando esse ofício tão português que é ser treinador de bancada.

Quem deve o actual líder copiar? A legião de derrotados ou os dois únicos vencedores que o antecederam na sede da Lapa? A resposta é óbvia: apenas Sá Carneiro e Cavaco Silva lhe podem servir de modelo. Sá Carneiro teve grande parte do partido contra ele, chegando a enfrentar duas rebeliões no grupo parlamentar - a primeira das quais ainda na Assembleia Constituinte, em 1975, a segunda em 1978; ambas com dissidentes tão notáveis como Magalhães Mota, Carlos Mota Pinto, António Sousa Franco, Sérvulo Correia, Jorge Miranda, Vasco Graça Moura e Guilherme Oliveira Martins.

O último confronto levou à fragmentação da bancada. Sá Carneiro resistiu, impôs a sua vontade, enfrentou o Presidente da República e o Conselho da Revolução, traçou como meta nacional a abertura do país à Europa com o fim da tutela militar do regime e a ideologia "socialista" plasmada no texto constitucional. Ganhou a batalha das ideias, venceu nas urnas. Contra a maioria dos comentadores e dos "analistas" da altura, arautos do "consenso", que favoreciam os seus adversários internos e externos.

Sá Carneiro foi um homem de rupturas - não de falsos consensos. Aníbal Cavaco Silva, na década de 80, também era assim. Conquistou por um punhado de votos um partido rachado ao meio no congresso da Figueira da Foz, quando os notáveis laranjinhas e a grande maioria dos comentadores e "analistas" favoreciam o seu rival interno, João Salgueiro. Cavaco chegou à ribalta social-democrata para desfazer a coligação com o PS, romper com a lógica de "bloco central", forçar legislativas antecipadas e impor um candidato presidencial que devolveu o entusiasmo às bases partidárias. Venceu no essencial. Levantou o partido, conquistou a maioria, pôs fim ao primado da economia estatizada na Constituição da República e modernizou o País graças aos fundos estruturais recebidos de Bruxelas.

Um e outro - Sá Carneiro e Cavaco Silva - contra as correntes dominantes. Contra os palpites dos treinadores de bancada. Contra os comentadores alinhados com o baronato do bloco central. Contra a "lógica natural das coisas" e as águas estagnadas do "bom senso".

Apenas eles conseguiram ser diferentes num partido que leva década e meia praticamente só a coleccionar derrotas.

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