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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

We live now in hard times, not end times (2)

Não sabemos o que está ainda por vir mas tememos a vinda desse mal desconhecido. O nosso medo nasce ouvindo as inúmeras vozes que repetem a palavra “fim” sem que outras falem de esperança e um novo começo. Ou talvez elas sussurrem, abafadas e perdidas entre o clamor da desgraça e não as consigamos ouvir, de tão cabisbaixos ou surdos de incompreensão e raiva.

Nunca vivemos tempos assim porque não éramos vivos. Outros no entanto passaram provações como guerras, torturas terríveis, extermínio, perseguições e fome extrema. No entanto, deram vida a quem nos deu vida. Perseveraram apesar das incertezas, continuaram passo a passo através da ponte entre as suas dúvidas.

O mundo já esteve à beira da destruição, quando era ainda dividido em dois por um muro de belicosa incompreensão. Duas décadas antes era um lugar onde as bombas caiam nas casas de famílias num país perto do nosso, com nada mais do que um silvo de aviso. E poucos anos antes ainda, milhares e milhares de homens viviam em trincheiras na condição de animais, disputando a morte em cada metro de terreno numa guerra que ninguém entendia.

Suceda o que suceder no ano prestes a começar, há certamente quem queira ver-nos baixar os braços e a cabeça, abdicando de agir e de acreditar. Mas é nestes dias difíceis, progressivamente mais difíceis e árduos, que devemos olhar para dentro e encontrar a centelha que esses antepassados nos deram.

A vida que temos não é apenas nossa. E aquilo que recebemos torna-se mais e maior apenas através da partilha com quem nos rodeia. Não deixemos que o medo nos isole e impeça de conseguirmos dar. Ele tranca-nos na nossa própria casa e quando não temos casa impede-nos de pedir abrigo. O medo limita-nos a ser um em vez de vários e com ele esquecemos que País foi este e cegamos para o que poderá ainda ser.

A morte, a velhice e a dor continuarão a existir. Mas também a vida, a infância e a alegria. Como disse Jon Stewart, vivemos tempos duros, mas não o fim dos tempos. Que estas palavras ecoem e que ditas bem alto abafem as outras que nos impedem de agir.

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