Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Do óbvio:

Foi Henrique Monteiro quem escreveu, na página 3 do Expresso deste Sábado (link ainda não disponível):

 

Passos insistiu (neste ponto com razão) que o Governe é que tem de fazer o OE, mas vai acabar a discutir minudências. Discutindo, associa-se ao monstro que aí vem, o qual sendo necessário, não deixa de ser monstruoso. Passos poderia, pelo menos, adiantar como seria com o seu governo – Menos ministérios? Menos prebendas e propaganda? Mas também não o faz.

O PSD deve ser claro sobre o que faria nas actuais circunstâncias e o que fará no poder, caso queira ganhar a credibilidade necessária para mobilizar o eleitorado. Passos não se pode limitar a ser como o deputado brasileiro Tiririca, cujo único programa foi a frase “pior que está não fica”.

Que pior não fica, os eleitores já perceberam (seria até difícil ficar pior). Mas precisam de saber o que melhoraria, o que tornaria o país diferente deste pantanal em que estamos. Se Passos não o fizer, não só desilude como contribui para o descrédito total do sistema democrático em que vivemos”.

 

Confesso que já li e reli estas palavras inúmeras vezes. Não apenas pela razão que assiste a quem as escreveu nem tão pouco pela clareza como as expôs. Não. Foi, sobretudo, pelo sublinhar do óbvio.

 

Não tenho qualquer dúvida que Passos Coelho as compreende. Mais, não hesito em afirmar que Passos Coelho sabe que é isso que o país espera dele: uma alternativa consubstanciada numa profunda mudança. A mesma que, com coragem, começou a desenhar nalgumas das propostas de alteração constitucional que lançou. Não basta mudar de protagonistas, é preciso mudar de políticas, de estratégia para desenvolver o país e conseguir, de uma vez por todas, colocar Portugal no trilho certo em termos económicos e sociais.

 

Uma comunidade não sobrevive, a longo prazo, através de expedientes medíocres como aqueles que, através de verdadeiro esbulho geracional, permitiram a sucessivos governos endividar as gerações futuras. Uma comunidade saudável não se constrói com parcerias público-privadas nas quais o privado fica com a carne e o público com os ossos. Uma comunidade não pode crescer quando a sua principal massa crítica, a classe média, é fustigada com impostos de tal grandeza que o seu futuro passa por juntar os trapinhos com a classe baixa e assim engordar as bolsas de pobreza.

 

De que vale a um país ter as melhores auto-estradas, os mais avançados centros de saúde e grandiosos centros escolares se quem os pode utilizar não consegue ter condições socioeconómicas para deles usufruir verdadeiramente? Um doente sem dinheiro para os medicamentos não se cura. Um aluno com o estômago vazio não aprende. Um empresário sem dinheiro para sustentar os seus camiões de certeza que não utilizará as estadas.

 

Afinal, para que serve e a quem serve este país?

 

Essa é a questão sobre a qual o PSD e Passos Coelho devem reflectir e apresentar uma verdadeira alternativa de mudança. Mesmo que seja dura ou passível de reprovada pelos portugueses. Pelo menos, terá feito aquilo que tinha de ser feito.

 

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.