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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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O dilema

Manuela Ferreira Leite tem todo o direito de dizer, numa reunião do grupo parlamentar do seu partido, que o PSD deve anunciar previamente que viabiliza o Orçamento de Estado de 2011.

Mas a opinião parece estranha. Não se conhece o défice deste ano, certamente muito superior à meta de 7,3%, daí a necessidade de receitas extraordinárias. O governo não cumpriu aquilo que negociou com Ferreira Leite, obrigando a oposição a negociar um PEC que também não seria cumprido por Sócrates.

 

Além disso, não se conhece o cenário macroeconómico do próximo ano e o que se sabe sobre ele é, no mínimo, fantasioso ou irrealista. O Governo insiste num crescimento de 0,5% em 2011, mas o Banco de Portugal, sem ter contabilizado as próximas medidas de austeridade, espera estagnação económica, 0%. O FMI mencionou uma quebra de 1,5%, incluindo as medidas. A recessão é inevitável, mas o governo continua optimista.

Ora, o PSD já foi enganado duas vezes num só ano. Viabilizar à partida e às cegas um orçamento que começa desta forma não faz qualquer sentido e garante outro engano. No fundo, José Sócrates está de novo a ser subestimado, erro recorrente nos social-democratas.

Viabilizar sem negociar é passar um cheque em branco.

 

Deve reconhecer-se que o PSD está entre a espada e a parede: se não viabilizar o orçamento, o PS tentará transferir para a oposição a responsabilidade pelo agravamento da situação financeira. Amanhã, quando aparecer aí o FMI, Sócrates dirá que a culpa é do PSD. E o pior é que o FMI pode exigir um aumento de impostos que os social-democratas recusam agora. Depois, haveria muitos meses antes de eleições legislativas (pelo menos sete), o que tornaria tudo mais complicado.

Mas viabilizar um mau orçamento sem o negociar parece ainda mais suicidário: ficarão responsáveis por um mau orçamento. Manuela Ferreira Leite acredita que se o fizerem previamente, não terão a responsabilidade. Mas soa a desejo. Uma viabilização prévia, sem negociação, só tornará o orçamento ainda mais nocivo.

Se é mau ou desconhecido, não se viabiliza. Ceder à chantagem pode ser a pior solução para o País.

  

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