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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

DOP: Rui Paula e a minha Cantina Duriense

O Bono e a Mulher estiveram no Porto e almoçaram no magnífico restaurante de Rui Paula, o DOP. Para comemorar, trago aqui ao Albergue um texto que publiquei anteriormente no Aventar, em Janeiro e minimamente adaptado ao momento:

 

 

 

Os meus companheiros(as) do Aventar e do Albergue já sabem da minha paixão pelo Douro. Eu, um menino da cidade, nado e criado no Porto (Areosa) casei com uma duriense e mal pus a vista em cima do Douro Vinhateiro fiquei como aqueles senhores da UESCO: perdidamente apaixonado.

 

Uma das minhas perdições no Douro é o famoso D.O.C. e o seu genial Rui Paula. Não tenho por hábito, fruto de um certo pudor adquirido em casa, falar sobre este ou aquele restaurante, hotel ou outra qualquer extravagância pessoal. É reserva mínima de intimidade e um certo horror a uma qualquer cedência ao novo-riquismo tão típico dos dias de hoje. Dou um exemplo: muitos amigos tecem loas ao bife do cafeína (restaurante ainda da moda no Porto) e eu, típico labrego da Areosa, lá fui qual carneirinho experimentar o naco. Absolutamente banal, excepto no preço. O Aleixo (Campanhã-Porto) ou o Rodrigo (Maia) por metade do preço fazem a festa, deitam os foguetes e apanham as canas. Enfim, modas. E foi com esta ideia pré concebida que entrei, pela primeira vez e de pé atrás, no D.O.C.

 

O espanto que se apoderou de mim ao longo da refeição (provavelmente deglutida sempre de boca aberta para horror dos restantes comensais) transformou-se em êxtase absoluto no término da mesma. E sempre que regresso já não fico espantado, podendo assim comer de boca educadamente fechada, mas permanece o arrebatamento. O D.O.C. é, tal qual os patamares de vinha que nos fazem companhia ao longo da refeição, um verdadeiro Património da Humanidade e o melhor restaurante de todo o Douro e Duero, de Soria à Foz. O Rui Paula é um génio e aos génios tudo se perdoa, até os devaneios mais recentes: vai abrir um novo poiso gastronómico no Porto, no velho burgo. Um desvario. O D.O.C. não é só a comida, a excelência da dita, nem o primor do serviço ou a revolução que desencadeou, gastronomicamente falando, na região ou a partilha da carta com o próprio Rui Paula e a sua maravilhosa companhia. O D.O.C. é tudo isto por junto mas misturado com a paisagem em seu redor. Depois, depois é o Douro, provavelmente o único lugar do mundo capaz de transformar a minha Areosa, o meu Porto, a minha Maia em meros locais de fugazes de poiso de fim-de-semana ou de uma ou outra escapadela de férias ou de peregrinação ao Dragão – a melhor sala de espectáculos do país. Sim, sim que o Ano é novo e o final de 2010 será, espero, o princípio dessa mudança. Daí não aceitar que o Rui Paula me troque as voltas à “cantina duriense”.

 

E todo este relambório por causa de um livro. Um livro, não. O Livro. O livro “Best in the Wold Gourmand 2009”, título conquistado no “World CookBook Awards”, assim a modos que o Nobel da Literatura gastronómica. Uma prenda de Natal que recebi de um grande amigo e onde, durante uma brevíssima pausa de fim de ano duriense, pude encontrar as receitas dos seguintes manjares dos Deuses: Trilogia de Sabores Antigos (Cogumelos recheados, peixinhos da horta e salpicão de Barroso), Chamuça de Alheira com cogumelos salteados, Migas de Alheira, Creme de espargos verdes com Vieiras e Azeite trufado, tudo isto nas entradas. Quanto a pratos de peixe temos: Polvo à Lagareiro, Bacalhau lascado com puré de grão-de-bico, Milhos de Camarão, Açorda de Sapateira com Linguado e Caldeirada de Pargo. No pecado das carnes: Cachaço de porco Bísaro com migas de feijão-frade, o superlativo Medalhão de lombo Maronês com Queijo da Serra acompanhado de espargos verdes e arroz de três cogumelos, Trilogia de Vitela com batata confitada de alheira, Milhos à Transmontana, Lombinhos de porco Bísaro grelhados com favada e puré de aipo e a Vazia com puré de queijo de cabra, confit de chalota e courgette recheada. A gula, caros companheiros (as), o pecado da gula está nos doces: Chamuça de queijo Chèvre com gelado de mel, requeijão, doce de abóbora e amêndoa; Crepe de leite-creme crocante com frutos exóticos e molho de framboesa; Tarte de Maçã com queijo de cabra e gelado de Azeite; Mil folhas de maçã e morangos; Folhado de Maçã com geleia Late Harvest; Trilogia de Degustação (Souflé de Limão, Molho de frutos do bosque e Zabayon de Vinho do Porto) sem esquecer o Strudel de Maçã com frutos secos em sopa de canela! Meus caros, só citei os já provados pois muitos mais se pode encontrar neste livro magnificamente escrito por Celeste Pereira com fotografias superlativas de Nelson Garrido e cujo título não engana: “Rui Paula – Uma Cozinha no Douro” da Quidnovi.

 

Mas o Rui Paula é tão genial que me conseguiu surpreender novamente. Então não é que o DOP consegue ser, igualmente, fabuloso? Agora passei a ter duas cantinas e ambas durienses. O Bono, esse, é que a sabe toda e não foi de modas: quando se quer impressionar uma mulher e se está no Porto, é DOP pela certa. A Ali Hewson ficou, garantidamente, ainda mais apaixonada e o Bono manteve aquele ar trocista de "grande enganador".

 

O motivo de tão ilustre cliente deve-o o DOP a Coimbra e foi nela que gravei o meu primeiro vídeo by phone que coloquei no meu canal You Tube e foram cerca de 7000 visualizações em apenas três dias. Um concerto memorável e uma música "de estalo" que quero dedicar ao meu amigo Rui Paula e ao seu superlativo DOP. Caro Rui, a Michelin ainda não te deu uma estrela mas agora tiveste direito a uma bem maior: