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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A questão da imigração na Europa

Entretanto, a Suécia estampou-se. Há comentadores em Portugal que ainda não perceberam a importância das questões de imigração na Europa. Um  pequeno partido de extrema-direita, com discurso xenófobo e anti-imigração, conseguiu baralhar todos os cenários políticos. O bloco de centro-direita falhou a maioria por apenas três deputados (elegeu 172 e precisava de 175) e a esquerda recuou mais uma vez. Aqui, não compreenderam que o governo de centro-direita de Fredrik Reinfeldt perdeu de facto as eleições.

 

Em Portugal, onde na análise dos temas internacionais domina o pensamento do politicamente correcto, a importância do tema da imigração é totalmente ignorada. Neste post e em outros do mesmo Cachimbo de Magritte, por exemplo, a expulsão dos ciganos Roma de França é confundida com "racismo". Trata-se de uma visão simplista que oculta o verdadeiro problema, muito mais ligado aos custos de segurança social que estas comunidades implicam. O post também dá a entender, provavelmente por deficiência de escrita, que os ciganos estão a ser expulsos de França, o que não é verdade. Obviamente, isto não se aplica aos 400 mil ciganos franceses, mas a 15 mil ciganos dos Balcãs.

Nicolas Sarkozy usou de forma cínica e oportunista um recente motim num bairro social habitado por romas para segurar os votos da extrema-direita em França. Metade das pessoas que votam tradicionalmente na Frente Nacional votaram em Sarkozy nas presidenciais. O presidente, entretanto, está descer nas sondagens e preocupa-se em segurar este eleitorado. Ora, a imigração dos ciganos balcânicos é recente. A comunidade está ligada ao pequeno crime e vive sem integração na sociedade, sendo dependente da segurança social francesa e usando regras próprias, pouco compatíveis com a república.

A França está também a impedir preventivamente uma onda de imigração da Roménia e Bulgária. Na Roménia, por exemplo, os números oficiais indicam que há apenas meio milhão de ciganos Roma, mas na realidade serão mais de dois milhões. Os ciganos de língua romani serão porventura quatro milhões nos Balcãs e os ciganos europeus talvez 10 milhões. Não têm representação política e estão no fundo da escala social nos respectivos países, sendo isto verdadeiro para todos. No leste europeu, estes ciganos foram vítimas na Segunda Guerra Mundial, forçados a sedentarizar-se durante o comunismo e os primeiros a perder os empregos durante a transição para o capitalismo. Constituem uma minoria desprezada e muito pobre, maioritária apenas nas prisões. Esta gente, se puder emigrar, não hesitará.

 

A senhora comissária Viviane Reding fez uma comparação absurda com a chacina dos ciganos (250 mil mortos, um dos maiores crimes do século XX, assim banalizado) e deu oportunidade a Nicolas Sarkozy para fazer uma berrata nacionalista que terá caído bem, junto do eleitorado caseiro.

Mas, a nível europeu, coloca-se apenas a seguinte questão: a França está ou não a cumprir os tratados? Tudo indica que não estará, mas a comissária, com o seu comentário indignado e tonto, inviabilizou qualquer acção de Bruxelas. Assunto encerrado. Aliás, Sarkozy tem o apoio discreto de outros líderes. Berlusconi, que fez a mesma coisa, cavalgando um crime que chocara a opinião pública italiana; e talvez Angela Merkel, que tem um problema semelhante, embora seja com ciganos do Kosovo, não comunitários, sustentados pela segurança social e que não trabalham. Em resumo, imigrantes indesejáveis, mas isso não se pode confessar.  

   

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