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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A Maçonaria segundo César Vidal

O historiador César Vidal, uma referência em Espanha, acaba de publicar a sua segunda obra dedicada à maçonaria. A primeira data de 2005 (“Los Masones – La Sociedad Secreta más Influyente de la Historia”) e agora, cinco anos passados e um enorme sucesso de vendas depois, lança esta “La Masoneria – Un Estado dentro del Estado” (Editorial Planeta, 2010).

 

A sua primeira obra centrou-se, sobretudo, nas questões “mais” históricas desta sociedade dita secreta e no seu alegado papel na Revolução Francesa, na independência das colónias espanholas ou na Revolução Russa. Acrescido de um conjunto de “sound bites” de entre os quais se destaca a alegada responsabilidade desta no crescimento das grandes seitas modernas. Mesmo reafirmando que não era esse o seu objectivo, por muito que lhe custe, sente-se/ nota-se da leitura dessa obra um certo preconceito negativo. A exemplo de muitos detractores e  outros tantos defensores desta sociedade secreta, igualmente César Vidal não se conseguiu desligar das suas ideias pré-concebidas e trilhar caminhos próprios do romance e não da história. Ficou a incerteza.

 

 

Já nesta segunda obra as dúvidas dissiparam-se e logo através do subtítulo ficamos esclarecidos sobre o pensamento inicial do autor sobre o facto estudado. Tal, em Portugal, seria de todo impensável: os nossos brandos costumes, associados ao respeitinho e misturados com a manhosice que nos corre no sangue saberiam esconder a opinião pessoal nos subentendidos rendilhados com arte. A frontalidade e o desassombro tão típicos dos nossos vizinhos não permite essas tibiezas. Para César Vidal a maçonaria é um Estado dentro do Estado e a Espanha de Zapatero é um tratado sobre a influência da maçonaria nos destinos do país das Nações.

 

Mesmo percorrendo, em boa parte da obra, a velha disputa “Maçonaria vs Igreja Católica” e reafirmando, segundo o seu entendimento dos escritos dos principais pensadores maçónicos, da incompatibilidade entre estas duas Instituições – ao mesmo tempo que afirma o seu contrário ao debruçar-se sobre a alegada influência desta sociedade no catolicismo moderno, dedicando a terceira parte do seu livro ao que denomina por “Assalto à Igreja Católica” – não deixa de alimentar as mais diversas e correntes teorias da conspiração sobre a influência desta obra na política de diversos Estados (França, Itália de Berlusconi, sem esquecer um clássico: os EUA). Nada de novo ou original.

 

Ou seja, Vidal, concorde-se ou não com aquilo que escreveu, acredite-se ou não nestas suas teses pretensamente históricas, utiliza os seus reconhecidos méritos de historiador para escrever um…romance. Não um livro de história, quando muito, um livro de “estórias”. Por sinal, um excelente romance superiormente bem escrito e de leitura fácil e agradável. Mas que em nada se distingue dos romances de Dan Brown ou do português Rodrigues dos Santos.

 

Se a intenção de César Vidal foi escrever um romance, conseguiu uma boa obra. Pelo contrário, se pretendeu escrever um livro de história, falhou redondamente. O seu último capítulo é disso um bom exemplo: afirmar ou procurar dar a entender que os governos de Zapatero são um “experimento masónico” é, no mínimo, querer escrever sobre história quando se é parte nela e isso, como se aprende nas Faculdades de História, é um erro trágico. Não faço a mais pequena ideia se ZP e/ou os seus ministros são membros da maçonaria ou se governam ou não segundo os ditames desta mas, sinceramente, tal tipo de especulação peca por dois defeitos: querer justificar os erros de quem governa culpando terceiros e, por outro lado, acreditar que a maçonaria terá semelhante força.

 

Alguns leitores dirão que estou a ser ingénuo. Talvez. Mas desde o pós 11 de Setembro que estou farto das mais rocambolescas teorias da conspiração para justificar tudo e todos.  Isso e a permanente justificação do mau governo e da incompetência de quem nos governa culpabilizando terceiros.

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