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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Do real para o virtual

Era uma vez...

 

Uma Estrada Nacional 107. Um belo número. Um dia, um governo decidiu que a mesma não servia os interesses da região e que para servir o Aeroporto Internacional, a LIPOR II e a maior zona industrial do Noroeste Peninsular seria necessário e fundamental construir um "itinerário complementar", baptizado de IC24.

 

A velhinha e caprichosa EN107 passava a estrada municipal. Ao longo dos anos o seu trajecto inicial foi alterado: numa parte foi ocupada pela nova linha do Metro que liga o Hospital de S. João ao ISMAI; noutros pedaços passou a ter um só sentido de trânsito e com isso se criaram novos passeios para os peões; por questões de segurança boa parte dos seus perigosos cruzamentos passaram a ter rotundas e outros sinalização luminosa (o número de acidentes baixou drasticamente). Ao longo do seu percurso nasceram casas comerciais, prédios de habitação e outros equipamentos. Ou seja, morreu a EN107 e nasceu uma via interna municipal adaptada às novas exigências da sua função.

 

Num célebre dia, quiçá depois de um lauto jantar, um punhado de governantes de um outro governo, decidiu fazer um negócio não solicitado nem tão pouco desejado pelas gentes da terra: ampliar o itinerário complementar IC24 de duas para quatro faixas (de cada lado), implodindo inúmeras pontes que estavam em excelente estado de conservação e que chegavam e sobravam para a função que lhes estava destinada. A população e o autarca do concelho protestaram. Os primeiros por verem o seu dinheiro, duplamente, a ser mal gasto (com a construção do IC24 passaram a pagar uma taxa especial justificada pela construção do dito itinerário e, ao mesmo tempo, como não são parvos, não compreenderam os motivos para alargar o que não precisava de o ser e ver destruir algo que lhes custou tanto dinheiro sem qualquer justificação plausível) e os segundos por conhecerem a realidade.

 

Depois de morta a EN107, morria o IC24 e nascia a auto-estrada eufemisticamente chamada SCUT A41 (sem custos para o utilizador, vejam a lata). De repente, a economia nacional deu o berro e um outro governo ficou com a menina do Cravinho ao colo. Solução: o povo estúpido que pague a cagada feita pelos seus governantes. Pior, a sensação com que se fica é a de quererem que o povo pague as negociatas milionárias de alguns dos nossos governantes.

 

Ontem, o meu presidente de câmara, disse publicamente o que os seus colegas autarcas da região repetem em privado. Mais, mostrou ao país algo que nós, habitantes da região, já sabemos: as estradas municipais não são alternativa e só quem não as utiliza diariamente pode ter dúvidas. Mais, estamos a falar de vias que em determinados períodos do ano estão cortadas ao trânsito (festas municipais, festas de freguesia, carnaval, S. João, etc.).

 

Ontem, fiquei a saber que a maioria dos deputados da Assembleia da República consideram que as estradas municipais são óptimas alternativas a determinadas auto-estradas. Estamos esclarecidos. Melhor dito, estarrecidos!

 

 

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