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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

A Crise a Norte - parte 2 (final):

(continuação DAQUI)

 

Sem indústria, sem comércio, sem as autarquias locais, já mais nada resta. Lembro-me de ler, no início dos anos noventa,  um livro chamado “As Regiões Ganhadoras” e a forma como estas necessitavam de autonomia política para vencerem as dificuldades e combaterem o centralismo naturalmente asfixiador. Nós não temos forma de as diferentes regiões concorrerem entre si na obtenção de investimento privado e público. Como pode uma região, que não existe politicamente, competir com outra quando esta é subsidiada por investimento público em detrimento da anterior? Mas vamos ser práticos e utilizar um exemplo que a maioria percebe:

 

Como pode o Sporting de Braga competir com o Porto, Benfica e Sporting quando não consegue negociar valores próximos dos recebidos por estes seus adversários pela estatal PT/TMN/SAPO? Dirão os mais conhecedores que é uma questão de mercado. Não, não é. Se assim fosse, como me dói escrever isto, o Benfica teria de receber bem mais do dobro do Porto e Sporting pois o seu “mercado” é duplamente (ou mais) superior. Quando não se praticam as regras do mercado este não pode servir de desculpa.

 

Ora, o futebol é um espelho do país que somos e temos, reflectindo esta realidade “distorcida” e cujo exemplo máximo é o actual QREN e o anterior QCA III (Quadro Comunitário de Apoio). Numa recente tese de mestrado apresentada numa universidade portuense, uma estudiosa da matéria prova, com números e factos concretos, a diferença entre a taxa de execução de candidaturas apresentadas em sede de Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional em contraponto com a taxa de execução de candidaturas apresentadas aos Programas Operacionais não regionais decididos pelo Poder Central.

 

E essa taxa é bem menor no segundo caso. Não estamos a falar “em teoria” mas na prática corrente e puramente real. Estes desequilíbrios não são ficção nem “mania da perseguição destes gajos labregos do Norte”. Não. E a realidade é bem pior no Interior. A diferença é que a Norte e, em especial, no litoral, a situação social é explosiva fruto de crescentes focos de pobreza onde, como já alguns dizem sem qualquer freio nas palavras, “quando o meu filho começar a passar fome mais não me resta do que roubar”. Quando na “sopa dos pobres” encontramos professores, profissionais liberais e famílias inteiras e se soma o esgotar do leite e do arroz, estamos já a caminhar rente à linha negra do desespero.

 

Não perceber a realidade e nada fazer para a inverter é brincar com o fogo. É esta realidade que explica a “revolta das SCUTs”. Por vezes, como a história nos ensina, são as coisas menores amplificadas pelas dores maiores que levam à revolta popular.

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