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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Faça Férias "cá dentro":

 

Os motivos pintados mais significativos encontram-se no painel central, o mais antigo de todos, onde se pode observar um veado de hastes cortadas e uma figura humana armada – provável cena de caça – e num friso composto por figuras antropomórficas (humanas) e zoomorfos (animais) onde se destaca um conjunto de três figuras”.

 

Assim reza a placa colocada no local. Ao longo dos últimos vinte anos são constantes as nossas peregrinações para estas bandas. Nestes anos temos ouvido inúmeras histórias. Uma das mais impressionantes é contada pelos mais velhos dos velhos desta terra: o Vale dos Mil ou Valedomil. Num local acessível apenas de tractor ou jeep avistam-se fragas impressionantes esculpidas, provavelmente, pelos Deuses e mesmo antes de se ali chegar temos um vale, o tal Vale dos Mil. Segundo a lenda, numa noite de lua cheia, estavam os mouros a festejar e a banhar-se nas gélidas águas quando foram chacinados. Ao que consta, valha-nos o exagero, foram mil as vidas ceifadas nessa batalha.

 

Esta história sempre nos impressionou. Sendo certo que a curiosidade matou o gato, sempre suspiramos por meter os pés (no caso, as rodas) ao caminho e rumar a tão sinistro local. Se é lenda ou não, desconhecemos mas uma coisa temos como certa após conhecer a paragem: todo o território em causa é propício a feitos desta e doutra grandeza. Realmente, só visto.

 

As escavações arqueológicas aqui desenvolvidas, permitiram a identificação de duas lareiras e de espólio relacionado com a vida das comunidades do neolítico e do calcolítico que aqui habitaram e que indiciam uma economia baseada sobretudo na pastorícia, mas também na agricultura, na caça e na pesca”.

 

Hoje, no local em causa, já não existem comunidades. Deslocaram-se um pouco mais para Norte. A agricultura, sobretudo de subsistência, ainda consegue manter-se viva mas com dificuldade - só os mais velhos continuam a trabalhar a terra e quanto à caça e pesca só a de lazer. Tomando como certo os mil mouros e acreditando que seriam, pelo menos, outros tantos a combatê-los, sempre podemos afirmar que ficaram todos a perder: hoje subsistem na área em causa talvez umas quinhentas pessoas – excepcionalmente o dobro por alturas de Agosto.

 

Por aqui já o Estado central(ista) fechou escolas, centros de saúde e demais equipamentos públicos. Restam as Juntas de Freguesia nestas populações esquecidas e abandonadas. E resta a história e o seu património, igualmente abandonado, desleixado e perdido por entre caminhos de cabras, as últimas resistentes.

 

Façamos então como manda o nosso Presidente da República e férias  só “cá dentro”, por exemplo, em Paredes da Beira (S. João da Pesqueira) visitando o Abrigo da Fraga D´Aia que “terá sido ocupado desde o neolítico Antigo/Médio (VI e V milénio A.C.) até ao Calcolítico Pleno (III milénio A.C.)” onde uns bacanos se entretiveram a fazer uns desenhos castiços nas paredes do mais puro granito. Não se resolve o problema do deficit nem tão pouco a crise mas sempre fazemos a vontade ao Prof. Cavaco Silva…

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