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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A rainha de Inglaterra

Nunca percebi muito bem os monárquicos, mas cada um pensa como quer. Agora, este texto é um bocadinho excessivo. Aliás, como este. A ideia da superioridade dinástica de qualquer monarquia é uma questão de fé, por isso nem a vou discutir. A campanha do Corta-Fitas durante a crise tailandesa foi sintomática de como essa crença pode distorcer.

No caso dos textos do meu amigo João Távora, julgo haver vários equívocos. Em primeiro lugar, a rainha de Inglaterra não tem poder, mas é uma das pessoas mais ricas do mundo. Tem um acordo fiscal com o Estado britânico que lhe permite pagar poucos impostos, recebendo verbas do governo para sustentar as despesas da representação do Estado. Ao contrário do que escreve João Távora, estas verbas são sempre polémicas no Reino Unido, havendo despesas que não constam dos valores oficiais, por exemplo, as transferidas pelo ministério da Defesa. A monarquia recebe também dinheiro do orçamento da cultura, tendo a vantagem de preservar património britânico. Tudo isto é matéria que pode ser noticiada, até rebatida com outros factos, sem ser preciso dizer que o autor da notícia é republicano ou hipócrita.

 

O exemplo do Tratado de Lisboa é bizarro. Acontece que o referido tratado foi assinado por 27 Estados, incluindo monarquias e repúblicas. Todos os países europeus gastam dinheiro em cerimónias de carácter oficial, a nível de governos e de chefe de Estado. Se este fosse o tratado de Westminster, as cerimónias teriam sido mais ou menos idênticas, pois são padronizadas, teriam lasers e a parafernália respectiva. E, alargando o raciocínio, porque não criticar as faustosas e dispendiosas cerimónias religiosas católicas? Só as repúblicas europeias gastam dinheiro em faustos?

 

A notícia que irritou o autor de Corta-fitas foi escrita de forma idêntica em muitos jornais do mundo, incluindo espanhóis e britânicos. A monarca inglesa é uma das maiores proprietárias do seu país e uma das maiores beneficiárias das verbas da política agrícola comum da União Europeia. Fazer comparações com orçamentos de presidências da república não tem qualquer sentido. O PR português, para citar um exemplo, não possui iates nem castelos, bibliotecas e propriedades rurais. Não cobra rendas a milhares dos seus súbditos nem produz alimentos. Não tem vaquinhas e cavalos. Não é uma marca que receba direitos de imagens reais em xícaras de chá. O PR é um funcionário público eleito, sujeito a um orçamento votado pelos deputados. As famílias aristocráticas que evoluiram para monarcas constitucionais na Europa são grandes proprietárias, têm investimentos em acções e terras. Um antepassado desses reis, Luís XIV, de França, chegou a dizer, com razão: "O Estado sou eu". Nos países democráticos, a grande diferença entre monarquias e repúblicas costuma ser da conta bancária do chefe de Estado.      

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