Portugal terá de mudar
Portugal, após uma década de estagnação e mais de vinte anos de políticas económicas erradas ou, quando correctas, insuficientemente determinadas, está a começar a perceber que vai ter de mudar de vida. Alguns de nós já o entenderam há muito tempo e agiram em conformidade: adaptaram os seus hábitos de consumo às suas reais possibilidades, orientaram os seus negócios para novas geografias onde já existe uma maior dinâmica e a perspectiva de maior progresso, flexibilizaram as suas estruturas de produção, diferenciaram os seus produtos e serviços. Vivem bem com a exigência acrescida que a globalização e a intensificação da concorrência internacional trouxeram a Portugal. Estão melhor preparados para os desafios do futuro e as dificuldades do presente.
Porém, a vasta maioria dos portugueses não está preparada para o que está a chegar. A maior parte das famílias está significativamente endividada, muitas empresas não foram capazes de optimizar os seus recursos e de se tornar competitivas e o Estado cresceu ao ponto de dificultar, e muito, a nossa prosperidade futura. Pior ainda, há muitos portugueses que têm beneficiado das opções políticas erradas e do excesso de consumo interno: público e privado. Estes últimos vão, provavelmente, criar os maiores obstáculos à mudança. Assim como aqueles que temem, por princípio ou posição, qualquer alteração de paradigma ou modo de vida. Uns e outros não podem determinar o nosso futuro a curto prazo sobre pena da maximização do prejuízo de todos.
hoje, sexta-feira, na Economia Livre do Correio da Manhã