A responsabilidade e a vigarice
"Perante a catástrofe financeira que se anuncia, o primeiro-ministro correu para os braços de Pedro Passos Coelho. Não sabemos - nunca se sabe - se foi uma genuína proposta de colaboração ou se foi só um gesto de propaganda, em que o cavalheiro é perito (e a que, de resto, no seu íntimo, costuma reduzir a política). Não se tomaram, nem se podiam tomar, decisões de qualquer importância. Mas bastou a presença tranquilizadora e séria de Passos Coelho para as coisas arrebitarem um bocadinho. E também o que ele disse. Disse: 'Faremos tudo o que for necessário e por agora não é preciso dizer mais.' Duas frases que bastaram, porque são sóbrias e porque, vindas de quem vieram, o português comum acreditou nelas. A vigarice fala e explica muito, a responsabilidade fala pouco."
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje