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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A queda do rating de Portugal.

A notícia da queda do rating de Portugal confirma os piores receios sobre a dimensão da crise que atravessamos e o descrédito com que as medidas governamentais são vistas nos mercados internacionais. Não vale a pena elaborar discursos patrioteiros contra as agências de rating e os especuladores financeiros, uma vez que eles constituem apenas um espelho da nossa realidade. O que está em causa é que o Governo deixou agravar o défice para valores colossais e foi incapaz de elaborar uma proposta para a sua redução minimamente consistente. Efectivamente, todo o PEC assenta no agravamento de impostos, que agora inclusivamente já se quer aplicar a título retroactivo, contra o que a Constituição expressamente determina. Mas o Governo não apresenta qualquer medida eficaz para a redução da despesa pública e ainda não abandonou de vez projectos megalómanos, como o novo aeroporto e o TGV, que nesta fase de crise são absolutamente inexequíveis.

Mas, perante a dimensão desta crise, qual a resposta dos diversos agentes políticos? O Presidente da República permanece em silêncio. O Governo quer fazer crer que a queda do rating resulta de um ataque de especuladores, que nada tem a ver com a crise das contas públicas, que ele deixou criar. A oposição propõe-se dar a mão ao Governo, para o ajudar a defender-se do ataque, ao mesmo tempo que se entretém com uma comissão de inquérito, destinada a descobrir o que já toda a gente sabe: que o Primeiro-Ministro não diz a verdade ao parlamento. E o Governador do Banco de Portugal foi alegremente para Bruxelas, obrigando a nomear um novo Governador que inicia funções na maior crise dos últimos vinte anos.

Já houve um Primeiro-Ministro do PS que se foi embora "para que o país não caísse no pântano". Neste momento, o país caiu nas profundezas oceânicas, mas o Governo continua como se nada se passasse. Na minha opinião, era mais que altura para este Governo se ir embora. Porque quanto mais tempo demorar a sair, mais provável vai ser termos que depois pedir a intervenção do FMI.

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