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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Fé em Obama

 

 

 

 

Apesar de nos ter enxovalhado um bocadito na semana passada, aquando da invocação do santo nome de Portugal em vão para exemplificar uma pátria à beira da ruína, gosto do rapaz Obama. Acho mesmo que é o presidente mais cool que a América alguma vez teve e que, para além dos evidentes dotes de oratória e de um grande charme pessoal, vai ficar para a história pela forma pragmática como lidou com várias questões delicadas da política norte-americana.

 

Tem porém ainda um longo trabalho pela frente. Num país daquela dimensão, não basta resolver a questão do sistema de saúde ou da retirada estratégica de tropas de países árabes. Urge tomar decisões drásticas sobre problemas mais complexos que chegam a infligir danos físicos de gravidade considerável a quem os visita.

 

Falo evidentemente da velha questão do “pull” e do “push”. Não conheço nenhum bom português que não tenha sido afectado por este drama e que tenha conseguido sair do país sem ter mandado meia dúzia de caneladas ou partido a cana do nariz numa porta de um estabelecimento comercial.

 

Acrescente-se o stress que este tipo de sinalética provoca assim que entra no perímetro visual de qualquer turista português. Quando se dá de caras com um “push”, a coisa ainda marcha. Avança-se com confiança, agarra-se no puxador da porta com um gesto firme e pensa-se “Ah, americanos de um raio, a mim não me enganam, dizem aqui “push” mas eu sei muito bem que não é para puxar”. Dá-se um encontrão à porta de peito inchado e entra-se no estabelecimento de cabeça erguida.

 

É quando nos sai um “pull” que a porca torce o rabo. O circuito entra em bloqueio e é certo e sabido que o raciocínio segue em contramão. Ora “pull” é o contrário de “push”, de maneira que se está mesmo a ver que é para empurrar. E pronto, já se sabe que há uma cena à porta da loja com um portuga a mandar safanões violentos aos puxadores enquanto se forma uma vasta fila que se abstém de interferir, cheia de medo de estar perante um transeunte a ser trespassado por corrente eléctrica de alta voltagem.

 

O pior é que isto não é fenómeno que se resuma a uma ocorrência singular. A frequência diária com que pode surgir aumenta consideravelmente a probabilidade de lesões com sequelas graves ou até letais. E convenhamos que isso não é coisa que se faça a uma visita.

 

Tenho esperança que Obama, assim que consiga despachar a trapalhada das relações com o Médio Oriente, se debruce sobre esta prioritária questão diplomática. Bem sei que somos pequeninos, mas não há necessidade de nos tratarem desta maneira.

 

A América devia ser sempre uma porta aberta para todos. Mesmo para quem habita nos confins da europa.

 

 

 

O Mosquito

 

Aqueles que nunca conseguem sair do casulo da mediania onde sempre andaram e vislumbram o voo do seu vizinho rumo a melhores paragens são como aqueles mosquitos nocturnos que nos atormentam no leito. No fim, ou levam com uma sapatada mortífera ou apenas incomodam o início de uma boa noite de sono. Nada mais.

 

Foi o que disse, hoje, a um amigo com quem almocei e que está a ser incomodado por uma espécie de mosquito. Esse amigo, um bom tipo, está de partida para algo melhor. Depois de alguns anos a trabalhar um determinado cliente de forma deveras profissional, superando todas as expectativas e engolindo todos os sapos necessários para servir exemplarmente e executar integralmente os interesses do contraente, vê chegada a hora da partida. Onde esteve cumpriu amplamente e isso fez-se notar. É o justo e merecido prémio.

 

Quem não consegue sair da mediania, da quase mediocridade e vê os outros voar prefere pintar um retrato de maledicência do vencedor do que procurar seguir o seu exemplo. Na política, partidária ou não, vemos todos os dias situações do género. Na vida profissional, idem. Quantos vezes, mesmo aparentando estar distraído, vejo os mosquitos a voar. Seres minúsculos que utilizam todas as técnicas para denegrir o sucesso dos outros. Ainda há dias vi um. É deixá-los pousar.

 

Este meu amigo vai continuar a trabalhar na sua especialidade, naquilo que sabe fazer como poucos. Vai para melhor, sem ressentimentos e fruto da excelência dos seus últimos anos de trabalho. Ele vai e faz muito bem.

 

No final, entre o fumo dos nossos cigarros só lhe deixei uma última mensagem. Não olhes para trás, para a frente é o caminho. Esse mosquito, animal pequeno, e aquilo que ele diz é apenas e tão só como aquele pedaço de bosta que está ali, no meio do caminho, não chega a ser um obstáculo. É só desviar ligeiramente. Nunca calcar, caso contrário o cheiro fica mais intenso e persegue-te durante toda a viagem...

 

Boa sorte e até já.

O fanatismo em estado puro.

 

Se Anders Behring Breivik pertencesse a uma minoria étnica ou religiosa provavelmente os membros dessa minoria estariam agora em maus lençóis, alvo da fúria irracional dos noruegueses. Como afinal é claramente nórdico e cristão luterano, os noruegueses interrogam-se como foi possível existir entre o seu próprio povo alguém capaz de tão grande barbaridade. Agora começam a surgir notícias falando sobre os inúmeros alvos estrangeiros que Breivik tinha, onde nem sequer escapavam os traidores portugueses, suspeitos de simpatias islâmicas. Mas o que é especialmente significativo é que, apesar de tanto ódio aos estrangeiros, foram precisamente cidadãos do seu próprio povo que Breivik decidiu massacrar. Na verdade, nenhum povo está imune a que surjam fanáticos entre os seus membros e o que os caracteriza é a total ausência de racionalidade, quer nos seus comportamentos, quer na escolha das suas vítimas.

 

Nesse âmbito, recordo-me de um magnífico ensaio de Amos Oz, Contra o fanatismo, em que o autor escreve o seguinte: "A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. Nessa tendência tão comum de melhorar o vizinho, de corrigir a esposa, de fazer o filho engenheiro ou de endireitar o irmão, em vez de deixá-los ser. O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio. Quer salvar a nossa alma, redimir-nos. Livrar-nos do pecado, do erro, do tabaco, da nossa fé ou da nossa carência de fé. Quer melhorar os nossos hábitos alimentares, ou curar-nos do alcoolismo e do hábito de votar. O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita os braços ao pescoço porque nos ama de verdade ou se atira à nossa garganta em caso de sermos irrecuperáveis. Em qualquer caso, topograficamente falando, deitar os braços ao pescoço ou atirar-se à garganta é quase o mesmo gesto. De uma maneira ou de outra, o fanático está mais interessado no outro do que em si mesmo, pela simples razão de que tem um mesmo bastante exíguo ou mesmo nenhum mesmo".

 

O que mais me preocupa é que a resposta a estes bárbaros ataques de fanáticos possa passar pelo incremento de medidas securitárias, com evidente prejuízo das liberdades individuais. Porque a liberdade indvidual representa precisamente aquilo que os fanáticos mais odeiam. O sacrifício da mesma será assim sempre uma vitória do fanatismo sobre a sociedade livre e justa que temos vindo a construir.

Não tem de fazer sentido

Um delírio como este faria apenas rir se o seu autor não tivesse decidido passar aos actos e "sacrificar-se", começando por matar cem pessoas. É ridículo e sem sentido? Mas os comportamentos humanos não têm necessariamente de fazer sentido (o que não quer dizer que prescindam de uma causa e não produzam efeitos) e a nação mais culta da Europa (embora não necessariamente a mais civilizada) também foi capaz, já nos tempos modernos, de desencadear uma guerra genocida à escala mundial com argumentos "científicos" pouco mais sofisticados que os deste tarado. Não chega dizer que a loucura deste tipo é auto-explicativa, como também não podemos desistir de perceber o III Reich, argumentando dizer que a insanidade do Hitler explica tudo.

A Verdade

Eu não quero que os meus amigos do Albergue se zanguem comigo, em especial o Luís Naves que é um benfiquista dos sete costados. Contudo, ninguém é perfeito e eu compreendo que não é fácil a vida, futebolisticamente falando, para todos aqueles que não são adeptos do F.C. Porto.

 

O calendário destas coisas do pontapé na bola é maldoso para os não portistas. Vejamos: a coisa arranca em Agosto e é vê-los cheios de fé. Por alturas do S. Martinho começa a grande depressão dos 6 milhões ao verem o Dragão a grande velocidade por ali fora. O Natal é um tormento. Por alturas do Carnaval, que ninguém leva a mal, uma mudança mal engrenada faz crescer a esperança. A Páscoa é tremenda e até Junho é ver o Dragão de título em título até à desgraça alheia final. Uma violência.

 

Em Junho a época termina e a esperança alheia volta a renascer. É ver aviões de jogadores a aterrar na Portela e os melhores a ser desviados para o Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro e o desespero a apoderar-se dos adeptos encarnados. Porém, Julho é o mês do “este ano é que vai ser, vamos esmagar os Andrades”. Até que…

 

A época arranca em Agosto e por altura das vindimas é ver o Dragão a vindimar, pé ante pé, a caminho de mais uma época “vintage”.

 

Por isso, a definição de futebol em Portugal é simples e perfeita: são onze contra onze e no fim ganha o F.C. Porto.

 

 

 

A nova era por achar, a dos Passos Seguros, com "glasnot" e sem "compra de poder"

 

Continuamos cercados pelos fantasmas que, na monarquia napolitana, se identificavam pela tríade "festa, farinha, forca", dado que os poderes fácticos vão cercando a democracia de antipolítica, seja a compra do poder, seja o niilismo, seja a violência terrorista.

 

As lentes de muitos lusitanos continuam embaciadas. Dizem-lhes que podem discutir deus, discutir a pátria e discutir a família, mas já é bem difícil discutir os patrões da comunicação social em disputa, as nomeações para as secretas, as variedades da maçonaria ou o discurso dos congreganismos e fundamentalismos.

 

No tempo do rotativismo, quando na presidência do Crédito Predial saía o Hintze para a chefia do governo, logo entrava o Zé Luciano, acumulando com a liderança da oposição. Agora é apenas Rui Machete substituindo Daniel Proença de Carvalho, neste nosso Bloco Central de interesses, das empresas de regime e seus clubes de reservado direito de admissão e grandes sociedades de advocacia.

 

O bailado da "pantouflage", apesar de muitos regulamentos, continua a não ser transparente e deveria ser objecto de imediata contratação pública entre os principais partidos políticos, dado que a chamada comissão de ética do parlamento apenas serve para música celestial e a a lista das incompatibilidades para as excepções que confirmam a regra. Não nos tomem como parvos.

 

Já que o presidente da república não tem poderes suficientes para o desencadear, seria bom exemplo que a geração de jotas que agora comanda os principais partidos políticos desse o bom exemplo da transparência, chamando os bois pelos nomes, nomeadamente com a publicação de um livro branco das nomeações e avenças decretinas no regime, para que houvesse uma clara separação de águas entre a política e economia.

 

Este regime, de sociedade aberta mas dependente do condicionamento, continua a ser marcado por pactos de cavalheiros, à semelhança das reuniões de sacristia e de restaurantes finos que precederam a atribuição dos canais privados de televisão a Pinto Balsemão e D. José Policarpo, em detrimento de Daniel Proença de Carvalho, e com os equilíbrios e compensações posteriores

 

Temos de acabar de vez com esta economia privada sem economia de mercado, onde prevalecem os métodos salazarentos do condicionamento industrial, cultural e comunicacional, sem "glasnot" nem a prévia "perestroika". Chegou a hora de PSD e PS rasgaram a pesada herança que os há-de tramar em desconfiança.

 

Reparei que Seguro está disponível para todos os acordos parlamentares contra a praga que domina o Estado de Direito: a corrupção. Aproveita, Pedro! E cheguem ao PCP e ao BE. Não tenham medo! Peçam um papel ao Luís de Sousa. Ele faz isso em duas páginas de A4. Caso não o façam, podem morrer todos à vista de costa.

 

Aliás, as sucessivas traduções em calão sobre a Noruega e as suas tradições, com que, muitos vão debitando informações, revelam como se perderam aqueles olhares antropológicos que nos davam universalismo. Quem confunde nomes com coisas nomeadas, até tudo pode explicar com a monarquia e a fé cristã obrigatória dos respectivos 20 000 maçons, do rito sueco, cuja lista é publicamente disponível.

 

*Este postal pode servir de resposta à brilhante análise de José Pacheco Pereira sobre a influência dos alberguistas nos meandros do poder em Portugal. Serve, sobretudo, como protesto, dado que, como histórico do Albergue, até agora não fui convidado de forma discreta, secreta ou abrupta para qualquer naco de poder, de deputado a ministro, passando por assessor, agente, nomeado ou avençado. Nem sequer o meu telemóvel tocou ou o mail fez pisca-pisca. Não me conformo com tanta falta de poder.

A Maldição

Soube pelo Sapo que a Amy Winehouse foi encontrada morta no seu apartamento. Mesmo não sendo grande apreciador da sua música, não posso deixar de sublinhar a perda. E ao ler a notícia, recordar o desaparecimento de uma das minhas grandes paixões musicais, a Lhasa de Sela que, tal como a Amy, partiu muito nova e quando ainda tinha tanto para dar.

 

Hoje vão lembrar a vida vivida no limite pela Amy Winehouse. Sempre fui indiferente às notícias sobre o excesso de álcool e drogas da cantora. O que me interessa num músico é a sua obra e não a forma como vive.

 

A Lhasa foi assassinada pela doença maldita, um estúpido cancro. A Amy Winehouse, segundo as notícias, foi levada pela droga, outra grande maldição dos tempos modernos. Duas vidas perdidas.