Em Westminster a "profana" Kate tranquilizou televisões, confessionários e psicanalistas. Afinal, todos podemos ser príncipes e princesas, ricos e poderosos, tudo o que realmente desejarmos. Vejo republicanos fascinados com a tradição porque dentro dela nasceu uma flor plebeia. Como os burgueses da Idade Média, cheios de dinheiro e sem panache, não hesitariam em trair convicções por um aplauso e uma mordomia
Governar deveria ser executar um programa, numa espécie de pilotagem do futuro, equivalente à condução de um navio, para o cumprimento de uma rota e medição da viagem realizada.
Aqui e agora, com o GPS avariado e dependendo totalmente do rebocador de credores que nos levem a porto seguro, ao abrigo da tempestade, os candidatos à eleição não têm autonomia para uma adequada de oferta de bens e viagens, embora o eleitor se mantenha racional e compreenda que acabou a era dos governos minoritários ou monopartidários, restando-nos as coligações tipo jangada.
Daí que não passe de manobra de propaganda o regresso a programas omnibus, que oferecem soluções que nunca se vão realizar.
Porque ameaça continuar o rotativismo e o devorismo, onde qualquer situacionismo se caracteriza por ser oposição à oposição, onde o primeiro se diz verdadeiramente socialista, na esquerda desta direita, e a segunda aparenta ser socialista menos, na direita desta esquerda.
Aqui e agora, como diria Ortega y Gasset, “ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral”*.
*Este depoimento, hoje publicado no DE, é uma justa homenagem liberal ao chamado albergue do passismo, para glosar o postal abrantino, anti-relvista que, querendo atacar o símbolo de Santiago, insulta uma escola de que sou subdecano, mas onde não posso estar presente, por baixa médica de longa duração. Chamou-se Escola Colonial, por ocasião da fundação, em 1906, em decreto inspirado por Luciano Cordeiro. Teve como um dos primeiros graduados Álvaro de Castro, presidente do ministério na I República, e passou a Escola Superior Colonial em 1922, por diploma do ministro das colónias João Lopes Soares. Reduzi-la a um dos vários candidatos a deputado de hoje, e de vários partidos, ou a um só regime, ela que já vai em quatro, é tão rasca quanto vinculá-la ao nome que o director do tempo do salazarismo lhe deu, agora que a mesma entidade convidou para catedráticos convidados ministros socialistas das finanças e do interior, não fosse o respectivo presidente um ilustre projectista do PRACE falhado deste primeiro-ministro. Um outro acrescento: também recebi o convite para a sessão de Miguel Relvas, numa organização do Professor Doutor Jorge Sá e não do vice-presidente em exercício. Inicia uma série que, por acaso, é imediatamente seguida por outra sessão, com José Manuel Almeida Ribeiro, a quem outrora convidei para docente de "agenda setting", embora os meus doutos colegas não secundassem a sugestão, por ser graduado na Universidade Católica... Daí que, em nome do espírito da mesma instituição, homenageie hoje o passamento de um dos seus mais ilustres professores, Vitorino Magalhães Godinho, tão injustamente demitido pelas tentações constantes das escolas de regime! Quanto ao meu socratismo e passismo, o depoimento supra é esclarecedor.
Em Março de 2010, em pleno XXXII Congresso, foi aprovada uma alteração aos estatutos do PSD que “pune com a suspensão de membro do partido até dois anos ou com a expulsão os militantes que violem o dever de lealdade para com o programa, estatutos, directrizes e regulamentos do PSD, especialmente se o fizerem nos 60 dias anteriores a eleições”.
Mas à boa maneira portuguesa, está-se tudo marimbando para os estatutos, a começar pelo proponente da alteração estatutária, passando pelos congressistas que a votaram, por aqueles que os infringem reiteradamente e pelos órgãos partidários que devem fiscalizar o seu cumprimento.
Já estou como o Pedro Correia, faltam 37 dias para as legislativas!
Era o fim da tarde. O sol deitava-se sobre um Tejo plácido e tépido que cacilheiros sulcavam em câmara lenta. Uma brisa suave e carregada de pólen fazia as delícias dos lisboetas imunes às alergias primaveris. E eu próprio não estava muito aflito enquanto percorria, no passo estugado de quem se julga atrasado, o percurso que vai dos bas-fonds da Bica até à ampla, luminosa e portuária 24 de Julho. Chegado à marginal artéria, tendo já a Kapital à vista, estaquei num repente perante uma chave de automóvel displicentemente atravessada no meu caminho. Nisto vejo o João Villalobos, grande "gestor vírgula empresário" que esta tarde abrilhantará o painel da cultura do evento final do Mais Sociedade, aproximando-se de mim com grande à propos. Após os cumprimentos da praxe, conferenciámos em torno da chave caída. Que fazer? Chegados à conclusão que nenhum dos dois queria aquele carro nem dado - quanto mais roubado - decidimos entregar a chave aos cuidados do restaurante onde íamos jantar: o Maritaca. Já na companhia do António Nogueira Leite, deixámos uma jovem de agradável presença - o que viria a revelar-se uma constante no dito estabelecimento - tomar conta da ocorrência enquanto encomendávamos Mojitos ao balcão.
Entretanto haviam-se juntado a nós o mestre de cerimónias José Aguiar e também António Figueira, que quebrou o unanimismo coquetélico com um Campari Soda. Numa última leva juntaram-se a nós Rodrigo Saraiva, Luís Naves e Francisca Prieto - pobre cronista me confesso, que não m'alembram os aperitivos que tomaram. Ainda com os copos de coquetel a meio tomámos assento no fundo da sala, e logo estalou a polémica: lambrusco ou um simples tinto? A salomónica solução foi mandar vir ambos, não sem reclamar um frappé também para o tinto, irritantemente quente como tantas vezes em restaurantes que deveriam saber a diferença entre temperatura ambiente e temperatura de serviço. Já sobre a ementa houve consenso a favor da liberdade de escolha - a ausência de José Adelino Maltez fez-se sentir mas o espírito liberal que o anima não deixou de imperar entre os comensais. Houve risottos, bifes, hamburgueres, pizzas e calzones, e toda esta diversidade conviveu na paz e na harmonia entrecortada pelo chocalhar dos talheres e musicada por um quarteto de jazz.
Não inquiri da satisfação dos alberguistas com o que lhes foi servido, mas pelo que pude julgar pelos semblantes pós-prandiais ninguém terá saído desapontado com o repasto. Confirmo que houve quem tivesse feito vaquinha de pizzas, mas jurei não revelar quem e essa informação irá comigo para o túmulo. Reserva absoluta também sobre as conversas tidas à mesa, que o Albergue Espanhol não é nenhum Conselho de Estado. Posso apenas dizer, porque me encontro expressamente mandatado para tal, que Futre foi evocado, e que houve assinatura de autógrafos nos exemplares do Jardim Botânico (comprai e lede) e de O Filho de Campo de Ourique e Outras Histórias (lede após comprardes). À saída ainda tivemos direito a assistir a algumas voltas de Moto GP em plena avenida. Onde está a troika quando precisamos dela?
Algumas almas da Pátria preferem (ver caixa de comentários do post "A Força do Dragão") encontrar justificações estranhas para menorizar o resultado do F.C. Porto perante o Villareal. São razões que a razão desconhece.
Nada como citar a insuspeita imprensa vizinha para procurar explicar aos cépticos o que ontem, a exemplo do resto da época, aconteceu:
Jornal Marca: "O Villareal ficou sem oxigénio na segunda parte e o F.C.Porto passou-lhe por cima. A diferença física foi tão abismal como o resultado"
Jornal AS: "O Villareal levou uma vassourada descomunal. O F.C. Porto deu uma lição de futebol...".
Jornal El Mundo: "O F.C. Porto deu um recital de jogo de equipa e fundiu a equipa espanhola".
Jornal ABC: "A avalancha (cito) de futebol directo, agressivo, triturador e absolutamente exigente do F.C. Porto na segunda parte destroçou o Villareal. Este F.C. Porto tem fome de êxito, de triunfo e de fazer história insaciável".
A opinião generalizada na imprensa desportiva internacional sublinha algo notório: "Este F.C. Porto deveria estar na Champions e não na Liga Europa".
Esta foto não é minha e não sei quem a tirou. Estas garrafas não são minhas e não sei quem as bebeu. O sentimento em epígrafe é muito feio, eu sei, mas a redenção está para breve e será publicada proximamente.
No Verão de 2009 escrevi que Manuela Ferreira Leite tinha a obrigação de ganhar a José Sócrates dado o péssimo estado da economia nacional. Agora, que já se sabe que o governo conseguiu o impensável e degradou ainda mais a situação económica e social do país, tenho de escrever que Passos Coelho tem ainda maior obrigação de desalojar Sócrates a 5 de Junho. Se não o dissesse agora, alto e a bom som, como o disse no passado, estaria transformado num mero advogado de facção, como o mediático deputado cuja indisfarçável parcialidade tantas vezes critiquei.
As palavras estão gastas sobre Sócrates. Ele foi, todos os dias, mais um adjectivo. Hoje é a soma de todos eles porque mais nenhum existe. Os adjectivos repetem-se e o truque está na combinação das frases – exactamente como os casais que tentam desesperadamente salvar o casamento inventando uma nova forma de se sentarem juntos no mesmo sofá de sempre.
Cedo à tentação da facilidade. Sócrates não tem essência ou, se quiserem, a sua essência é a superfície moldada por mais uma sondagem, mais uma ideia luminosa, mais um estratagema, uma táctica, um comentário que fique no ouvido, um sonho optimista ou uma reprimenda que é absoluta hoje e relativa amanhã. O primeiro-ministro é muito bom naquilo que faz porque, ao contrário do que alguns fazem crer, acredita numa parte substancial do que diz. O país é um jogo e este é o momento em que um verdadeiro jogador mais gosta de lançar os dados. Se o PSD não perceber isto e continuar a usar adjectivos gastos em vez de escrever um novo livro, corre o sério risco de uma desilusão que fracturará o futuro.
Ele começa a apoderar-se do tabuleiro e a estrangular as peças à sua frente – tudo porque o PSD não consegue sair da defensiva, não consegue deixar de parecer que está a reboque dos acontecimentos, não consegue em suma deixar de ser um partido de oposição e não um verdadeiro partido de poder.
Ainda há caminho. Mas faltam os dias. A liderança do PSD não pode continuar a navegar na espuma dos dias, obrigatoriamente terá de oferecer um horizonte e uma esperança ao país. Os portugueses não querem apenas que lhes digam a verdade, essa já nós sabemos, o país precisa de motivos para voltar a acreditar. E isso não se faz com palavras gastas.