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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Uma flor plebeia

Em Westminster a "profana" Kate tranquilizou televisões, confessionários e psicanalistas. Afinal, todos podemos ser príncipes e princesas, ricos e poderosos, tudo o que realmente desejarmos. Vejo republicanos fascinados com a tradição porque dentro dela nasceu uma flor plebeia. Como os burgueses da Idade Média, cheios de dinheiro e sem panache, não hesitariam em trair convicções por um aplauso e uma mordomia

Da hemiplegia moral

Governar deveria ser executar um programa, numa espécie de pilotagem do futuro, equivalente à condução de um navio, para o cumprimento de uma rota e medição da viagem realizada.

 

Aqui e agora, com o GPS avariado e dependendo totalmente do rebocador de credores que nos levem a porto seguro, ao abrigo da tempestade, os candidatos à eleição não têm autonomia para uma adequada de oferta de bens e viagens, embora o eleitor se mantenha racional e compreenda que acabou a era dos governos minoritários ou monopartidários, restando-nos as coligações tipo jangada.

 

Daí que não passe de manobra de propaganda o regresso a programas omnibus, que oferecem soluções que nunca se vão realizar. 

 

Porque ameaça continuar o rotativismo e o devorismo, onde qualquer situacionismo se caracteriza por ser oposição à oposição, onde o primeiro se diz verdadeiramente socialista, na esquerda desta direita, e a segunda aparenta ser socialista menos, na direita desta esquerda.

 

Aqui e agora, como diria Ortega y Gasset, “ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral”*.

 

*Este depoimento, hoje publicado no DE, é uma justa homenagem liberal ao chamado albergue do passismo, para glosar o postal abrantino, anti-relvista que, querendo atacar o símbolo de Santiago, insulta uma escola de que sou subdecano, mas onde não posso estar presente, por baixa médica de longa duração. Chamou-se Escola Colonial, por ocasião da fundação, em 1906, em decreto inspirado por Luciano Cordeiro. Teve como um dos primeiros graduados Álvaro de Castro, presidente do ministério na I República, e passou a Escola Superior Colonial em 1922, por diploma do ministro das colónias João Lopes Soares. Reduzi-la a um dos vários candidatos a deputado de hoje, e de vários partidos, ou a um só regime, ela que já vai em quatro, é tão rasca quanto vinculá-la ao nome que o director do tempo do salazarismo lhe deu, agora que a mesma entidade convidou para catedráticos convidados ministros socialistas das finanças e do interior, não fosse o respectivo presidente um ilustre projectista do PRACE falhado deste primeiro-ministro. Um outro acrescento: também recebi o convite para a sessão de Miguel Relvas, numa organização do Professor Doutor Jorge Sá e não do vice-presidente em exercício. Inicia uma série que, por acaso, é imediatamente seguida por outra sessão, com José Manuel Almeida Ribeiro, a quem outrora convidei para docente de "agenda setting", embora os meus doutos colegas não secundassem a sugestão, por ser graduado na Universidade Católica... Daí que, em nome do espírito da mesma instituição, homenageie hoje o passamento de um dos seus mais ilustres professores, Vitorino Magalhães Godinho, tão injustamente demitido pelas tentações constantes das escolas de regime! Quanto ao meu socratismo e passismo, o depoimento supra é esclarecedor. 

Então e a Lei da Rolha?

 

Em Março de 2010, em pleno XXXII Congresso, foi aprovada uma alteração aos estatutos do PSD que “pune com a suspensão de membro do partido até dois anos ou com a expulsão os militantes que violem o dever de lealdade para com o programa, estatutos, directrizes e regulamentos do PSD, especialmente se o fizerem nos 60 dias anteriores a eleições”.

 

Mas à boa maneira portuguesa, está-se tudo marimbando para os estatutos, a começar pelo proponente da alteração estatutária, passando pelos congressistas que a votaram, por aqueles que os infringem reiteradamente e pelos órgãos partidários que devem fiscalizar o seu cumprimento.

 

Já estou como o Pedro Correia, faltam 37 dias para as legislativas!

O dia em que podia ter roubado um carro mas fui antes ao jantar do Albergue Espanhol.

 

 

 

 

Era o fim da tarde. O sol deitava-se sobre um Tejo plácido e tépido que cacilheiros sulcavam em câmara lenta. Uma brisa suave e carregada de pólen fazia as delícias dos lisboetas imunes às alergias primaveris. E eu próprio não estava muito aflito enquanto percorria, no passo estugado de quem se julga atrasado, o percurso que vai dos bas-fonds da Bica até à ampla, luminosa e portuária 24 de Julho. Chegado à marginal artéria, tendo já a Kapital à vista, estaquei num repente perante uma chave de automóvel displicentemente  atravessada no meu caminho. Nisto vejo o João Villalobos, grande "gestor vírgula empresário" que esta tarde abrilhantará o painel da cultura do evento final do Mais Sociedade, aproximando-se de mim com grande à propos. Após os cumprimentos da praxe, conferenciámos em torno da chave caída. Que fazer? Chegados à conclusão que nenhum dos dois queria aquele carro nem dado - quanto mais roubado - decidimos entregar a chave aos cuidados do restaurante onde íamos jantar: o Maritaca. Já na companhia do António Nogueira Leite, deixámos uma jovem de agradável presença - o que viria a revelar-se uma constante no dito estabelecimento - tomar conta da ocorrência enquanto encomendávamos Mojitos ao balcão.

 

Entretanto haviam-se juntado a nós o mestre de cerimónias José Aguiar e também António Figueira, que quebrou o unanimismo coquetélico com um Campari Soda. Numa última leva juntaram-se a nós Rodrigo Saraiva, Luís Naves e Francisca Prieto - pobre cronista me confesso, que não m'alembram os aperitivos que tomaram. Ainda com os copos de coquetel a meio tomámos assento no fundo da sala, e logo estalou a polémica: lambrusco ou um simples tinto? A salomónica solução foi mandar vir ambos, não sem reclamar um frappé também para o tinto, irritantemente quente como tantas vezes em restaurantes que deveriam saber a diferença entre temperatura ambiente e temperatura de serviço. Já sobre a ementa houve consenso a favor da liberdade de escolha - a ausência de José Adelino Maltez fez-se sentir mas o espírito liberal que o anima não deixou de imperar entre os comensais. Houve risottos, bifes, hamburgueres, pizzas e calzones, e toda esta diversidade conviveu na paz e na harmonia entrecortada pelo chocalhar dos talheres e musicada por um quarteto de jazz.

 

Não inquiri da satisfação dos alberguistas com o que lhes foi servido, mas pelo que pude julgar pelos semblantes pós-prandiais ninguém terá saído desapontado com o repasto. Confirmo que houve quem tivesse feito vaquinha de pizzas, mas jurei não revelar quem e essa informação irá comigo para o túmulo. Reserva absoluta também sobre as conversas tidas à mesa, que o Albergue Espanhol não é nenhum Conselho de Estado. Posso apenas dizer, porque me encontro expressamente mandatado para tal, que Futre foi evocado, e que houve assinatura de autógrafos nos exemplares do Jardim Botânico (comprai e lede) e de O Filho de Campo de Ourique e Outras Histórias (lede após comprardes). À saída ainda tivemos direito a assistir a algumas voltas de Moto GP em plena avenida. Onde está a troika quando precisamos dela?

Factos

 

 

 

 

Algumas almas da Pátria preferem (ver caixa de comentários do post "A Força do Dragão") encontrar justificações estranhas para menorizar o resultado do F.C. Porto perante o Villareal. São razões que a razão desconhece.

 

Nada como citar a insuspeita imprensa vizinha para procurar explicar aos cépticos o que ontem, a exemplo do resto da época, aconteceu:

 

Jornal Marca: "O Villareal ficou sem oxigénio na segunda parte e o F.C.Porto passou-lhe por cima. A diferença física foi tão abismal como o resultado"

 

Jornal AS: "O Villareal levou uma vassourada descomunal. O F.C. Porto deu uma lição de futebol...".

 

Jornal El Mundo: "O F.C. Porto deu um recital de jogo de equipa e fundiu a equipa espanhola".

 

Jornal ABC: "A avalancha (cito) de futebol directo, agressivo, triturador e absolutamente exigente do F.C. Porto na segunda parte destroçou o Villareal. Este F.C. Porto tem fome de êxito, de triunfo e de fazer história insaciável".

 

A opinião generalizada na imprensa desportiva internacional sublinha algo notório: "Este F.C. Porto deveria estar na Champions e não na Liga Europa".

 

Só por cá alguns teimam em não querer ver...

Um partido sem emenda (5)

«Morais Sarmento critica PSD por chumbar avaliação de professores.»

29 de Março

 

«Nuno Morais Sarmento considera que o PSD não devia ter posto em causa o PEC IV e votado contra o documento. Numa entrevista à Rádio Renascença, o social-democrata disse que o PSD errou ao colocar em causa a palavra dada por José Sócrates em Bruxelas.»

5 de Abril

 

«Morais Sarmento critica Passos Coelho pela escolha de Fernando Nobre.»

12 de Abril

 

 

Faltam 37 dias para as legislativas.

Invejaaaaaaa

 

Esta foto não é minha e não sei quem a tirou. Estas garrafas não são minhas e não sei quem as bebeu. O sentimento em epígrafe é muito feio, eu sei, mas a redenção está para breve e será publicada proximamente.

Expectativas racionais

No Verão de 2009 escrevi que Manuela Ferreira Leite tinha a obrigação de ganhar a José Sócrates dado o péssimo estado da economia nacional. Agora, que já se sabe que o governo conseguiu o impensável e degradou ainda mais a situação económica e social do país, tenho de escrever que  Passos Coelho tem ainda maior obrigação de desalojar Sócrates a 5 de Junho. Se não o dissesse agora, alto e a bom som, como o disse no passado, estaria transformado num mero advogado de facção, como o mediático deputado cuja indisfarçável parcialidade tantas vezes critiquei. 

Palavras Gastas

As palavras estão gastas sobre Sócrates. Ele foi, todos os dias, mais um adjectivo. Hoje é a soma de todos eles porque mais nenhum existe. Os adjectivos repetem-se e o truque está na combinação das frases – exactamente como os casais que tentam desesperadamente salvar o casamento inventando uma nova forma de se sentarem juntos no mesmo sofá de sempre.

Cedo à tentação da facilidade. Sócrates não tem essência ou, se quiserem, a sua essência é a superfície moldada por mais uma sondagem, mais uma ideia luminosa, mais um estratagema, uma táctica, um comentário que fique no ouvido, um sonho optimista ou uma reprimenda que é absoluta hoje e relativa amanhã. O primeiro-ministro é muito bom naquilo que faz porque, ao contrário do que alguns fazem crer, acredita numa parte substancial do que diz. O país é um jogo e este é o momento em que um verdadeiro jogador mais gosta de lançar os dados. Se o PSD não perceber isto e continuar a usar adjectivos gastos em vez de escrever um novo livro, corre o sério risco de uma desilusão que fracturará o futuro.

Ele começa a apoderar-se do tabuleiro e a estrangular as peças à sua frente – tudo porque o PSD não consegue sair da defensiva, não consegue deixar de parecer que está a reboque dos acontecimentos, não consegue em suma deixar de ser um partido de oposição e não um verdadeiro partido de poder.

Ainda há caminho. Mas faltam os dias. A liderança do PSD não pode continuar a navegar na espuma dos dias, obrigatoriamente terá de oferecer um horizonte e uma esperança ao país. Os portugueses não querem apenas que lhes digam a verdade, essa já nós sabemos, o país precisa de motivos para voltar a acreditar. E isso não se faz com palavras gastas.