Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O Segredo de Polichinelo...

 

 

 

 

Ontem, por motivos profissionais, estive com uma equipa da SIC na Maia. A  Presidente das empresárias dos Emirados Árabes Unidos (11 mil empresárias) está de visita a Portugal até amanhã.

 

A meio da sua deslocação ao Parque de Ciência e Tecnologia da Maia a comitiva dirigiu-se a uma determinada empresa. Os responsáveis da dita avisaram que não permitiam a entrada da câmara de filmar da SIC. O motivo: os “segredos” industriais da referida empresa.

 

- Desculpe?

 

Que não senhor e rebéubéu e tal mas no fim teriam muito gosto em falar com a SIC.

Pois. Não é a primeira vez que assisto a esta decisão por parte da empresa em causa. Sim, em pleno século XXI onde a maioria das pessoas possuem um telemóvel com câmara de filmar (um dos meus colegas entrou munido de iPhone só pelo gozo de filmar tudo e mais alguma coisa sem ninguém o incomodar).

A equipa da SIC, obviamente, deu meia volta e foi embora. Eu fiz o mesmo. Já foi tempo em que tinha paciência para a estupidez e para a ignorância. Se existe algum segredo industrial seria fácil de resolver o problema: avisar a SIC que aquela coisa ali ao canto não pode ser filmada e aquele laboratório à esquerda também não e assim por aí fora. Todos entenderiam e seguiam para bingo. Mas não, aquela magia momentânea de afirmar o não e o justificar com segredos de polichinelo bacoco é um must. E muito tuga, amadorismo puro e duro.

 

O TecMaia é um Parque de Ciência e Tecnologia, um espaço de e para empresas. Por muito que a palavra custe a alguns, é um negócio. Numa actividade “imobiliária” bastante concorrencial. A comunicação é fundamental no desenvolvimento de qualquer negócio que se preze. Alguns ainda não perceberam que já não estamos no século passado. É pena.

 

É por estas e por outras deste calibre que Portugal está como está. Lamento mas nestas coisas estou farto de lidar com artistas da K7 pirata. A equipa da SIC deu meia volta, eu fiz o mesmo. Quanto mais não seja por ter ficado envergonhado. 

Chávena de chá

 

Ao ler isto fiquei com a nítida sensação de que este País não tem saída. Quando uma pessoa que teve as responsabilidades que este senhor teve anda a mandar-me recadinhos num blogue escrito com os pés, algo vai muito mal mesmo. Pior ainda quando não percebe o erro que cometeu ao  relacionar-me com coisas com as quais manifestamente não tenho nada a ver.

Errare humanum est, perseverare diabolicum: é isto que este senhor devia entender. Meteu a pata na poça e ninguém lhe levava a mal se admitisse o erro, agora persistir na asneira e descer a este nível é que já não estava à espera. Mas sinceramente também não quero saber, aquele bloguezito é sítio que não pretendo frequentar nos próximos tempos. Só confirma que há quem não mereça mesmo uma segunda oportunidade.

Um interregno desertificado, onde a caravana não passa

 

1
Debate quinzenal na nossa casa da democracia: foi 31 de boca contra 31 de boca, para glosar Silva Pereira... Pena faltar o discurso da palavra posta em razão ("logos" em grego). Mais um dos palcos desta campanha eleitoral permanente para efeitos sondajocráticos e de sessão de esclarecimento para as directas do PS...

2
E o PSD com tantos ex-líderes como treinadores de bancada quase parece um clube de ausentes-presentes, os que não jogam mas não saem de cima de todas as jogadas, como Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Pedro Santana Lopes e Luís Filipe Menezes, a que se vai juntar Jardim e onde não vão faltar outros Zandingas, como diria Durão....

3
Até as principais notícias da informação portuguesa são as de transferências de jogadores nos grandes órgãos de informação, naquilo a que se costuma chamar é poca do defeso, onde pouco interessam as cores da camisola, desde que saibam cativar desempregados políticos, à boa maneira dos velhos diários oficiosos dos antigos regimes e dos seus protectorados das forças vivas.

4
Entretanto os juros da dívida estabilizam o seu curso ascendente no normal anormal que todos os nossos truques e falsos consensos nacionais já não conseguem colmatar nem com o lastro dos sacrifícios.

5
Entre profetas da desgraça, os que pensam que isto é 1926 ou 1910, e o nacional-porreirismo, assim se vai degradando o situacionismo. Apesar de estarmos à beira do abismo, não conseguimos as tradicionais mobilizações que nos deram as legitimidades pós-revolucionárias de um rotativismo mais ou menos devorista que nos dava facturações....

6
Há um longo interregno de decadência, onde os excessos de acomodação da cobardia geram o voluntarismo do principado governativo, apesar de alguns ainda invocarem um presidente que não quer nem pode sidonizar o regime...

7
Foi mais uma vez Sócrates contra a Eloísa dos Verdes, tal como antes, a Passos Coelho, respondeu o ministro da presidência. Coitado, o Pedro foi excluído das listas pela antiga líder e actual deputada, e, involuntariamente, contribui para colocar a sede do poder fora do parlamento.

8
O PS, em excesso de principado unificacionista, embora menos esclarecido, tem de gramar a escolha que os marechais do rotativismo fizeram numa jantarada na Curia, pensando que o Zé apenas seria um líder de transição para a travessia do deserto. Enganaram-se, não sabiam que ele operaria uma espécie de cavaquização eucaliptal da instituição outrora pluralista.

9
O PSD, apesar de caminhar na via cavaquista, tem o barco pesado demais, com tanto marechal sem adequado senado, não podendo jogar flexivelmente com os velhos recursos autárquicos e regionalistas, nem consegue federar os muitos "clusters" de descontentamento existentes na dita sociedade civil...

10
Para o PSD, de pouco valerá a reedição de estados gerais, ao ritmo das comissões de honra, ad hoc, das candidaturas presidenciais. Porque ainda não encontrou suficientes dissidentes da esquerda, principalmente do PS, que queiram fazer o papel dos reformadores, como no tempo da AD de Sá Carneiro.

11
O velho e novo patronato não aposta no liberalismo a retalho, em época de potencial descida do FMI ou de outro fundo europeu. Faltam "opinion makers" com o ritmo de Miguel Relvas. Não há uma vaga de fundo de apoio à alternativa na opinião independente. E nem sequer é suficientemente democrata-cristão para convencer o altar. Muito menos os corporativismos à solta. Um choque de coragem, precisa-se!

12
Os grandes partidos continuam simples máquinas de conquista e manutenção do poder. Não sabem, ou não conseguem, exercer as funções de mobilização política e de comunicação política. E estão sitiados pelo indiferentismo e pelos processos de compra do poder, ou corrupção. Confundem a mobilização com as campanhas eleitorais e a comunicação com a propaganda.

13
A presente decadência, já patente, pode levar a uma crise de regime. Isto é, a uma má relação da sociedade com um determinado sistema de valores e que lhe dava legitimidade. Por outras palavras, mesmo sem magnicídios, podemos caminhar para um republiquicídio.

14
Podem não suceder dramatismos de opereta, das bancarrotas aos golpes de Estado, incluindo os provocados por uma explosão social, sendo bem mais previsível a tradicional antecipação das derrotas, onde os detentores do poder máximo invoquem o tabu nunca desfeito, o pântano nunca esclarecido, ou uma ascensão ao Olimpo supra-estadual, para não terem que aturar os bárbaros.

15
O nosso deserto continua a ser a sociedade civil e a opinião livre. Até a revolução de 1974 foi hierárquica, com majores arvorados em generais para que a pirâmide estadual continuasse, em movimento de revolução "vinda de cima para baixo". Até o processo revolucionário que esteve em curso foi uma espécie de subversão a partir do aparelho de poder, como o descreveu Sottomayor Cardia...

Pop Quizz #1 or "here we go again"

 

WHO WROTE THIS STUFF (dated Feb 2011)?

 

"Portugal is suffering the effects of the sobvereign risk crisis. But market worries haven't been triggered by any specific deterioration in the Portuguese economy's fundamentals. There are significant differences between the public finances of Portugal and other Euro Area periphery economies"

 

"Portuguese banks haven't been facing any hangover of a bubble bursting in house prices and Portugal holds ample external assets which are a source of stability"

 

"In spite of much less significant fiscal ibalances Portugal has adopted policy measures that are as broad-based and aggressive as Greece's and Ireland's IMF led measures".

 

HINT: IT WAS NOT THE GOVERNMENT, AICEP OR THE OECD.

 

 

Os mesmos de sempre

Um dos problemas deste país é gastarmos muito mais tempo a ler opiniões de gente burra do que de gente inteligente e bem informada. Ainda agora, a propósito das revoltas no mundo árabe, se percebe isso: damos um pontapé numa pedra na rua e saem de lá dez recentíssimos "egiptólogos" a debitar inanidades sobre a incompatibilidade radical entre a democracia e o mundo árabe. Alguns são os mesmos que há 30 anos garantiam ser impossível haver estados de direito na América Latina e há 20 anos juravam que o sistema democrático jamais vingaria na Europa de Leste.

Os mesmos, sempre os mesmos. Clamam desde o século passado contra o atraso endémico do País enquanto interpretam a evolução do mundo com a argúcia de um camião TIR em marcha-atrás.

A inevitável bancarrota por exigência alemã.

 

 

Quando em Maio do ano passado os juros dispararam, tive a certeza que, ou se mudava imediatamente de Governo, ou não havia outro destino senão a bancarrota. Efectivamente, sempre me pareceu que os credores não acreditariam que o mesmo Governo que conduziu o país ao precipício fosse capaz de o tirar de lá. E essa situação comprovou-se pois, como demonstra este gráfico, os juros tiveram algumas baixas pontuais, derivadas das intervenções do Banco Central Europeu, mas continuaram sempre numa subida absolutamente consistente. Pelo caminho, sujeitaram-se os cidadãos às mais dramáticas medidas de que há memória em Portugal, as quais se sabe perfeitamente que para nada servirão, perante um Governo em que os credores não acreditam.

 

O Governo, no entanto, mais uma vez no objectivo de enganar os portugueses, esperava conseguir obter um auxílio encapotado, sem ter que formalmente declarar a insolvência, contando com a benevolência da chancelerina alemã Angela Merkel. Mas as eleições em Hamburgo já demonstraram qual o sentimento dos eleitores alemães em ajudar os Estados europeus com indisciplina orçamental. E agora surge este manifesto dos economistas alemães a exigir a declaração formal de insolvência desses Estados, manifestando-se contra qualquer forma de auxílio a Estados que não declarem a sua insolvência. Não será por acaso que Sócrates foi imediatamente chamado a Berlim.

 

Há uma coisa que a Europa há muito tempo sabe sobre os alemães: é que não brincam em serviço e pensam sobretudo nos interesses do seu próprio povo. Como se escreve no edifício do seu Parlamento, é para o povo alemão que este existe. É por isso impensável alguém acreditar que seriam os alemães a sustentar o despesismo português com ajudas encapotadas ou com a proposta dos "eurobonds". O país vai sofrer sozinho as inevitáveis consequências de uma política que há muitos anos está errada, mas que não houve coragem para terminar na altura própria.

 

Se, como parece a todos evidente, a bancarrota vem aí, uma pergunta desde já se põe. Nesse caso, irá este Governo continuar a ser sustentado pelo PSD por mais tempo? E desculpem-me por estar a falar demais.

Curiosidades da Ciberesfera

 

 

 

 

Nos últimos tempos, por motivos semi-profissionais, tive de mergulhar no desconcertante mundo da blogosfera como nunca antes tinha feito. E ando fascinada com isto, confesso.

 

Ora o que estou a fazer é a leiloar livros usados, utilizando um  blogue como plataforma para a “distribuição”. As receitas obtidas revertem a 100% para determinada Instituição, o que ajuda a aliciar os compradores.

 

Para se fazer uma licitação tem de se deixar na caixa de comentários, entre outros dados, o endereço de e.mail para que possamos contactar o vencedor no final do leilão.

 

Todos os dias dou de caras com situações de tal maneira insólitas que o meu sentido de humor se tem vindo a refinar a pontos de já não ser partilhável, de tão hermético.

 

Que há várias pessoas com pseudónimos curiosos por esta ciberesfera fora, todos sabemos. Temos tido como clientes uma “Gata Miura” e uma “Dama do Sinal”, por exemplo.

Estes são dois casos simpáticos que não causam qualquer tipo de problema. Se ganharem um leilão, mandamos um e.mail a dizer “Cara Gata Miura, é a explodir de entusiasmo que lhe vimos anunciar ser a grande vencedora do disputadíssimo leilão do livro tal de tal, no blogue Déjà Lu, tome lá o NIB para transferência bancária, etecetra e tal”.

 

Já o “Animal Civilizado” veio a criar alguma confusão porque estavamos convencidíssimas tratar-se de um especimen literado de raça masculina e veio-se a descobrir que é uma jovem toda simpática (a quem até achámos chato dirigirmo-nos como “Caro Animal”).

 

De todos, o meu preferido é o Nenuco Bombeiro. Sempre que o Nenuco Bombeiro licita um título fico com a minha quota de boa disposição diária preenchida. Ainda não consegui perceber se é homem ou mulher, mas adoro-o.

 

Mas não é só nos nomes dos licitadores que tenho encontrado este tipo de curiosidades. Quando dou um salto às estatísticas para perceber de onde me chegam as visitas, fico a perceber que há blogues com nomes extraordinários.

Temos o “não percebi a pergunta”, o “maria pudim” ou “as conversas da sopa”, entre uma infinidade de outros.

 

Ontem fui surpreendida por um inédito, que fez a simpatia de publicitar a nossa página. Como se chamava “piriquita frangalhona”, tive de ir lá a correr verificar se não se tratava de uma página indecorosa. Mas não, era um blogue perfeitamente decente gerido por uma gaiata que aposto que fez a Primeira Comunhão.

 

Ando deliciada com isto. De tal maneira que até estou enervada por ainda não me ter apresentado como “Xica Esperta”, o que seria perfeitamente adequado para uma pessoa que gere um blogue literário.

 

 

O fim de uma era

 

Todos nós sabemos que a situação de Portugal é dramática e que muita coisa vai mudar em breve. Não me refiro a eventuais mudanças políticas. O que é realmente importante é que os portugueses interiorizem que a sua vida já mudou. Ou melhor, já devia ter mudado e há-de certamente mudar.

 

A preferência revelada por políticos e famílias tem sido a da fixação quase patológica no betão. Como ando a explicar há anos, a presunção de que a obra pública traz necessariamente desenvolvimento, confundindo investimento com mera despesa e o caminho aberto pelos políticos de todos os partidos no sentido de que sejamos hoje um país de donos endividados de imobiliário, são duas das maiores razões da catástrofe económica que começamos a sentir e que ainda se vai agravar. Basta olhar para o país: auto-estradas entre nada e coisa nenhuma, polidesportivos em barda, estádios de futebol inúteis, uma das maiores taxas de propriedade de segunda habitação da Europa e agora, pasme-se, “parcerias público-privadas” para a construção de praias de água salgada no interior das Beiras.

 

Os políticos (poucos) e os que vivem da política (muitos) têm gerido este caminho para o caos dando a uma população cada vez mais desfasada da realidade o que esta aparenta querer. Ainda não perceberam que essa era já acabou.

 

também no Correio da Manhã