«Defensor de Moura interpreta a candidatura do frete socialista. Parecia que iria aglomerar os socialistas que antipatizavam com Alegre - cedo se viu que não seria assim. No debate com Alegre existiu um sincronismo conubial indisfarçável. Quando defrontou Cavaco Silva, Moura verbalizou tudo aquilo que Alegre nunca poderia dizer ao actual presidente: misturou acusações políticas e pessoais e mostrou-se o grande artífice da táctica de fazer à candidatura de Cavaco, graças ao escândalo da SLN/BPN, aquilo que foi consumado com Freitas do Amaral com o alvoroço do "Primeiro de Janeiro" (1986, outra vez).»
Não consigo encontrar outra qualificação para a mensagem ao País do nosso Primeiro-Ministro. Na mesma altura em que as agências de rating aparecem todos os dias a baixar o rating do nosso país, das nossas maiores empresas e dos nossos principais bancos, ele vê "animadores sinais de recuperação" na nossa economia. Deve ser um milagre de que a maioria das pessoas ainda não se deu conta, entretida com coisas menores como a falência em catadupa de inúmeras empresas, o constante aumento do desemprego, a subida dos impostos e a redução de salários. Fiquemos portanto à espera de ver o milagre. Um verdadeiro conto de Natal!
«Reforçar o orçamento da cultura durante a legislatura, de modo a criar as condições financeiras para o pleno desenvolvimento das políticas públicas para o sector.»
Para todos os membros do Albergue, para toda a equipa do Sapo, a todos os blogues e para todos os leitores e leitoras, um Feliz Natal e um 2011 em grande!
Esta notícia relativa às contas de 2008 e 2009 deixa as maiores suspeitas sobre o valor real do défice nesses anos. Começa-se a recear que os sucessivos orçamentos que têm sido apresentados possam ter mais buracos que um queijo suíço. E diz o Ministério das Finanças que o corte no "rating" de Portugal efectuado pela Fitch é "difícil de compreender". Não me espantava nada que a Fitch respondesse a seguir: "Precisam que vos façamos um desenho?".
"She was his girl; he was her boyfriend She be his wife; take him as her husband A surprise on the way, any day, any day One healthy little giggling dribbling baby boy The wise men came, three made their way To shower him with love While he lay in the hay Shower him with love love love Love love love Love love is all around..."
Um grande beijinho de Feliz Natal ao Albergue Espanhol!
Na primeira eleição presidencial portuguesa pós-25 de Abril, em 1976, surgiu do nada um proto-candidato que era fabricante artesanal de queijo da Serra. Deu entrevistas aos jornais e à televisão em que assumia a defesa dos artesãos portugueses, mas nunca chegou a reunir as assinaturas necessárias para formalizar a candidatura. Hoje ninguém recorda o seu nome. Mas esse indivíduo originou uma expressão que entrou no nosso léxico político: o 'candidato do queijo da Serra'. Nestas presidenciais, o candidato do queijo da Serra reuniu as assinaturas destinadas à candidatura. Chama-se Defensor Moura, é deputado do PS, foi durante 16 anos presidente da câmara de Viana do Castelo e acaba de dar um lamentável espectáculo na SIC, onde participou num frente-a-frente com Cavaco Silva.
O actual Presidente da República é digno das maiores críticas. Sou insuspeito: tenho-o criticado aqui sem rodeios de qualquer espécie. Mas há um capítulo em que nunca nenhum dos seus adversários conseguiu beliscá-lo: o da sua honorabilidade pessoal. Defensor Moura, sem ideias de qualquer espécie, encaminhou o debate por este terreno minado e não tardou a estatelar-se ao comprido. Procurou associar Cavaco a conivência com "negócios ilícitos" e irregularidades na gestão das suas finanças privadas. Foi quanto bastou para o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS sair da letargia em que parecia mergulhado nesta pré-campanha e reagir com uma indignação rara: "Para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes! O senhor pode ir consultar tudo ao Tribunal Constitucional, porque está lá tudo."
Cavaco esmiuçou a questão das mais-valias obtidas com acções da SLN, levantada por Defensor Moura. Referiu que isso ocorreu em 1999, muito antes de chegar a Belém, numa altura em que não desempenhava funções políticas. Especificou que a compra das acções fora decidida pelos gestores das quatro contas bancárias que ele e a mulher possuem a partir da aplicação de dinheiro resultante de direitos de autor (da parte dele) e da venda de "toda a sua herança" (da parte dela). Foi convincente e reduziu o socialista à insignificância. O debate morreu ali.
Houve ainda tempo para Defensor Moura levantar a principal bandeira da regionalização. Uma oportunidade para Cavaco lembrar que, por imposição constitucional, esta reforma terá de ser precedida de um referendo. A propor pela Assembleia da República ao Presidente, a quem cabe convocar esse referendo. "Um Presidente ponderado e sério não deve participar no debate da regionalização", acentuou. Confirmando assim que tem uma visão muito restritiva dos poderes presidenciais.
Defensor, que hoje não fez jus ao apelido, ainda esboçou um protesto. Mas já nem valia a pena dizer mais nada.
Defensor - Um ex-ministro de Cavaco Silva é agora administrador da Lusoponte. (... ) É uma tolerância que se verificou também nos negócios ilícitos do BPN. O candidato Cavaco Silva soube beneficiar das acções do BPN.
Cavaco - Como Presidente da República, apenas aprovei o decreto de nacionalização do BPN depois de o Governo e o Banco de Portugal me terem informado por escrito que não haveria alternativa. (...) Se nós nem acompanhamos a vida dos nossos filhos depois de eles sairem de casa, o que é que eu tenho a ver com as pessoas que estiveram comigo no Governo há 25 anos?
Defensor - Não ficou claro porque é que houve um lucro de 140% das acções da SLN...
Cavaco - Essas campanhas desonestas e sujas não pegam comigo. (...) O senhor não merece mais resposta da minha parte. Se quiser, consulte tudo no Tribunal Constitucional.
Defensor - Eu não estou a insinuar nada.
Cavaco - Está, está.
Defensor - O candidato Cavaco Silva tem de demonstrar no dia-a-dia que é isento. Tem que olhar de frente para os interlocutores em vez de estar sempre a desviar os olhos.
Cavaco - Não se é candidato à Presidência só porque isso vem à cabeça, só porque se diz umas larachas, umas tretas.