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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

antes da tempestade, uma espécie de bonança

 

 

Já escrevi, na sequência do acordo entre o PSD e o PS para viabilização da revisão do Plano de Estabilidade e Crescimento que, se este fosse cumprido, o défice global do sector público administrativo se deveria situar abaixo dos 7% do PIB. Os dados conhecidos da execução orçamental levam-me a reforçar essa convicção, sendo concebível mesmo que uma boa gestão da despesa, compensando o acréscimo de gastos correntes (420 milhões por ano, com impacto já na execução corrente) em resultado das concessões da ministra Isabel Alçada aos professores, que concretize os 1000 milhões de corte acordados com o PSD, leve a um valor abaixo dos 6,8% do PIB.

 

Apesar do bom resultado que espero em termos de défice, há dois pontos que me preocupam sobremaneira. Em primeiro lugar, o mau comportamento da despesa que o Ministério das Finanças mais directamente controla (a do subsector Estado) e, em segundo lugar, a lentidão do reforço da UTAO (unidade técnica de acompanhamento orçamental) na Assembleia da república, elemento fundamental de um controlo transparente e célere da execução orçamental.

 

É que, tal como aconteceu em 1999, em que entrámos no euro numa trajectória insustentável das finanças públicas com as consequências conhecidas, corremos de novo o risco de obter aparentemente bons resultados em termos de défice, apenas dificultando o ajustamento posterior.  A experiência mostra que, se assim for, à satisfação seguir-se-á o desastre.

 

 

amanhã na minha coluna Economia Livre do Correio da Manhã

 

 

A CML, o BES e a Proposta que vai e vem

Extraordinário contorcionismo, o demonstrado pela maioria coligatória actualmente à frente dos destinos da Câmara de Lisboa. Ontem, pela quinta vez, discutiu-se em reunião camarária uma proposta relacionada com as contrapartidas de 650.000€ que - para a Vereação do PPD/PSD - são devidas ao Município pelo BES, à conta das alterações a efectuar na sua sede, na Av. da Liberdade com a R. Rosa Araújo.

Ontem, finalmente, a referida proposta foi rejeitada somando os votos contra do PPD/PSD, do CDS-PP e ainda dos vereadores Nunes da Silva e Ruben de Carvalho, tendo Helena Roseta apresentado reservas e optado pela abstenção. Pela quinta vez se assistiu, (num dia em que se falou também da situação dos artistas de Circo) a um autêntico espectáculo de malabarismo na corda bamba por parte do Vice-Presidente Manuel Salgado.

Cinco idas e vindas de um mesmo assunto a votação de Câmara em tão curto espaço de tempo é coisa inédita. Mas, mais inéditas ainda, são as manobras que fazem dos regulamentos em vigor pura plasticina na mão do Arquitecto Manuel Salgado e da sua equipa.

Senão, atente-se na cronologia:

 

24 de Março de 2010. Adiamento da votação por dúvidas na legalidade da solução preconizada, ao não considerar abrangido pelo REMUEL o projecto de ampliação da sede do BES de 9.428 m2 para 10.092m2.

12 de Maio de 2010. A proposta é outra vez adiada.

7 de Junho de 2010. António Costa adia novamente a votação da proposta e concorda com a sugestão apresentada pelo PPD/PSD, afirmando que deve ser pedido parecer jurídico a uma entidade externa à CML, que decida de uma vez por todas se o projecto é ou não abrangido pelo REMUEL.

28 de Julho de 2010. A proposta reaparece inesperadamente em reunião camarária, sem qualquer menção ao parecer jurídico previamente acordado. A proposta é rejeitada pelo PPD/PSD, CDS/PP, Ruben de Carvalho e Nunes da Silva, com abstenção de Helena Roseta.   

 

Estão em causa compensações no valor de 650.000€ que, apesar da situação confrangedora das finanças camarárias o Executivo teima em não querer cobrar à revelia das boas práticas de gestão. Mas estão igualmente em causa a transparência e o cumprimento dos regulamentos que deveriam aplicar-se sem excepções feitas à medida. 

 

2nd take 2 of the day

 

Amanhã tenho CA de uma companhia onde trabalha um amigo que é de um partido que se reúne a ver touradas. Daí lembrei-me de Herp Albert e dos seus Tijuana Brass e deste fantástico Lonelly Bull (aka animal feroz)

Oliveira Salazar, Take 2

 

 

Eu não aceito mas compreendo perfeitamente a incomodidade dos miseráveis abrantes que gostariam de perpetuar a boa-vida à conta dos nossos impostos,  actuando a coberto do anonimato  na defesa do indefensável. Mas, por isso mesmo, e porque sabemos o que fazem e como o fazem, não resisto a repetir esta frase de António de Oliveira Salazar, infelizmente tão actual nos tempos que correm:

 

"O socialismo de Estado é o regime burguês por excelência. As falências, os desfalques, as irregularidades, se há compadres na governação, são facilmente abafados e os défices cobertos pelos orçamentos do Estado”

 

Os tempos mudam, as moscas também. Mas o que os meninos e as meninas por lá fazem, como é bom de ver, não....

 

 

nota: plano do bunker dos abrantes ali à Estrela.

 

Sugestão: mostrem-se muito indignados e usem trechos dos vossos 2 citados favoritos, os professores doutores Vital Moreira e Fernanda Palma, verdadeiros ídolos corporativos, imagino eu, via aplicação zelosa da lei dos cônjuges.