Sexta-feira
Brooklyn Decker.
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Brooklyn Decker.
"Perante a catástrofe financeira que se anuncia, o primeiro-ministro correu para os braços de Pedro Passos Coelho. Não sabemos - nunca se sabe - se foi uma genuína proposta de colaboração ou se foi só um gesto de propaganda, em que o cavalheiro é perito (e a que, de resto, no seu íntimo, costuma reduzir a política). Não se tomaram, nem se podiam tomar, decisões de qualquer importância. Mas bastou a presença tranquilizadora e séria de Passos Coelho para as coisas arrebitarem um bocadinho. E também o que ele disse. Disse: 'Faremos tudo o que for necessário e por agora não é preciso dizer mais.' Duas frases que bastaram, porque são sóbrias e porque, vindas de quem vieram, o português comum acreditou nelas. A vigarice fala e explica muito, a responsabilidade fala pouco."
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje
Quando se esperava que o bom senso tivesse chegado ao governo (ingenuidade minha), a montanha pariu um rato.
Não chegava a governação errada, agora temos um governo em desnorte.
Há momentos em que mais vale estar calado.
«Esperemos que Passos Coelho, como ele prometeu, faça de facto o que for necessário, com dureza e com pressa. Não é justo que Portugal caia pouco a pouco na miséria e no medo». Vasco Pulido Valente, hoje no Público
Mesmo depois da queda abrupta do rating de Portugal e dos novos sacrifícios que todos os dias são impostos aos cidadãos, o Governo não é capaz de abandonar os projectos megalómanos de grandes obras públicas, insistindo na sua realização contra todas as evidências. Depois de no dia anterior ter concretizado o contrato para a construção de nova auto-estrada, ontem veio anunciar com pompa e circunstância que vai continuar a avançar com o TGV e o novo aeroporto, apesar dos elevadíssimos custos orçamentais desses projectos.
Este anúncio já não pode ser considerado como mera teimosia, sendo antes uma grave demonstração da total irresponsabilidade na condução da acção governativa. Ora, esta situação é politicamente insustentável. Não é possível manter em funções um Governo que todas os dias dá sinais contraditórios aos mercados, e se mostra absolutamente incapaz de resolver os graves problemas que ele próprio criou. Seja no quadro do actual parlamento, seja com novas eleições, é absolutamente essencial arranjar uma nova solução governativa, séria e credível, destinada exclusivamente a resolver a situação de emergência nacional em que estamos colocados. Como os actuais governantes já não têm credibilidade, deixar arrastar esta situação só agravará cada vez mais o estado do país. É altura de o Presidente da República e o Parlamento assumirem as responsabilidades que constitucionalmente possuem.
Podem ler AQUI a entrevista de Pedro Passos Coelho ao diário espanhol ABC.
«Mi idea no es derribar al Gobierno sino hallar una buena respuesta a la crisis»
Perante o anúncio de que o TGV e o novo aeroporto de Lisboa se irão manter como projectos prioritários do actual Governo, mesmo no actual cenário de perigo financeiro, o mínimo que se pode dizer é que há alguém que já não está a jogar com o baralho todo. António Mendonça veio dizer que uma estradazita qualquer no centro é adiada, enquanto os elefantes brancos ficam tal e qual como estão. O aeroporto até é "fundamental" para o desenvolvimento do País, diz o ministro das Obras Públicas. Isto apesar de o ministro das Finanças ter dito, umas horas antes, que "está a ser feito um esforço no sentido de nos centrarmos naquilo que é prioritário, de ter em conta o momento financeiro e orçamental que vivemos e minimizar o mais possível o esforço financeiro que tiver que ser feito". Quem manda nisto, então? Fernando Teixeira dos Santos quer cortar e José Sócrates não deixa? O que se passa aqui? E digo Sócrates porque não acredito que António Mendonça, como professor catedrático especializado em finanças e economia internacional, não se esteja a aperceber do desastre.
Ministro das Obras Públicas vai anunciar projectos que não são prioritários
Em situação normal, num país estável política, social e economicamente, esta situação nunca aconteceria. É este o ponto a que uma governação errónea nos levou. Ser necessário anunciar o que não é prioritário é sinal de fim de linha. Esperemos que seja apenas fim de uma governação e não do país.