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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Sim, sr. ministro

Confesso que a contratação de Costinha para director desportivo do Sporting me surpreendeu. Não lhe reconheço qualidades para o cargo, mas registei esta frase durante a sua apresentação aos sócios: "Sou quase doente pelo Sporting".

Um é "quase doente", o outro não quer ser "achincalhado" (Bettencourt). São estes os sinais dos tempos em Alvalade. Se não fosse a camisa aos quadrados com fato às riscas (hoje visível na conferência de imprensa) e o facto de ter sido contratado pela mesma pessoa que disse "Paulo Bento forever" e o despediu, foi buscar Ricardo Sá Pinto para um lugar improvável, apostou em Caicedo, Angulo e Pongolle, diria que Costinha tem o benefício da dúvida. Não mais que isso. Até porque ter como alcunha "o ministro" não o capacita especialmente para o cargo...

Gostei

 

 

Gostei de ouvir Paulo Rangel referir mais uma vez esse verdadeiro mistério que é a já doentia insistência do governo em construir uma terceira ligação em forma de auto-estrada entre Lisboa e o Porto. Alguém consegue encontrar argumentos benignos para esta fixação socialista?

Reforço de Inverno

 

O campeonato já vai avançado. A equipa destaca-se na primeira liga e está recheada de estrelas. O desafio limitava-se, pois, ao reforço do banco de suplentes. Não teria um salário milionário, mas tinha a possibilidade de jogar para o título. E, no final da carreira, sempre poderia banquetear-me com os fantásticos pequenos-almoços que algumas figuras públicas insistem patrocinar. Tudo ponderado, concluí que a proposta era demasiado tentadora.

 

Tenho muitos interesses a declarar, porque não nasci com esse "mau espírito" da imparcialidade.

Sou do Sporting de Braga a tempo inteiro e benfiquista nos tempos livres.

Sou católico, mas adquiri unicamente a sua versão base.

Tenho uma patologia cardíaca, traduzida num coração laranja.

Não gosto de José Sócrates, mas a minha educação católica obriga-me a respeitar os moribundos. Não gosto de Louçã ou de Portas, porque teimam em inverter-me os meus esquemas mentais da direita-caviar e da esquerda-lavoura. Não gosto de Rangel, porque, a gostar, preferiria o original Portas e porque os meus "ouvidos melómanos" sempre reagiram mal a registos estridentes.

Tenho admiração por Passos Coelho e respeito por Aguiar Branco.

 

Prometo um "jogo limpo", mas não deixarei de devolver as entradas a "pés juntos". Gosto de atacar com suavidade e defender com força.

Privilegio o espírito de equipa e agradeço a confiança depositada pelos meus novos companheiros.

Espero que uma redobrada transpiração colmate as eventuais falhas de inspiração.

Vamos a isto!

"Morreu Zapata" *

Orlando Zapata Tamayo faleceu num cárcere cubano após 85 dias em greve de fome. Era um preso político do regime ditatorial-monárquico acaudilhado pelos irmãos Castro.

Quase ninguém falou em Orlando Zapata – certamente por lutar contra a tirania comunista e ser uma vítima da esquerda construtora dos ‘homens novos’ amanhados algures nos ‘amanhãs que cantam’.

Fosse Zapata um grevista de fome situado no lado politicamente correcto da história e teríamos as vigílias do costume e as manifestações folclóricas que já são rotina. Mesmo se fosse um terrorista teria sido chamado de ‘activista’ na abertura dos telejornais.

Mas era apenas alguém que queria a liberdade num lugar onde os mitos da geração mais gloriada do nosso tempo juram que ela não falha. Por isso, o silêncio.


* Ontem Correio da Manhã

O Lavrador

 

Segundo a Lusa, o sempre imprevisível dr. Rangel explicou um pouco melhor a sua ruptura. À entrada para a apresentação da sua candidatura aos militantes da Distrital Oeste, em Torres Vedras, explicou que quer que a tal ruptura assente numa «mudança na agricultura», que deve passar a ser vista como um «sector de defesa nacional» e «estratégico».

Este pensamento neo-fisiocrata, uma novidade mundial absoluta, foi por ele magistralmente desenvolvido ao referir, nomeadamente que a necessidade de o país ter reservas agrícolas «é uma questão estratégica de defesa nacional, por isso temos de valorizar os agricultores já não como produtores mas como soldados da soberania nacional, encarando a agricultura como um sector fundamental para a sobrevivência do país»,

Rematou  em grande estilo referindo que «precisamos de um D. Dinis para repensar a agricultura em Portugal».

Coerência

 

A dra. Manuela Ferreira Leite referiu ontem, acertadamente, que se nada for feito, Portugal caminhará no sentido da Grécia. O Ministro da Presidência decidiu reagir dizendo que a líder do PSD “atentou contra os interesses de Portugal". Mais valia que concentrasse a sua energia na defesa dos mesmos, pois é aí, e não em diatribes que todos nos temos de aplicar.
É por isso que, do mesmo modo que discordo do dr. Silva Pereira, também penso que a dra. Ferreira Leite elegeu para si um último grande combate. Na verdade, em coerência com as suas fortíssimas declarações, deverá, em sede de discussão do OE na especialidade, transformar o insuficiente exercício proposto pelo Governo em algo mais adequado às necessidades do país e àquilo que os nossos credores exigem de nós. Implicará, em linha com os seus gritos de alerta, exigir, de facto, a suspensão dos grandes investimentos (ainda que prática e substancialmente não relevem no exercício de 2010 condicionam fortemente a nossa despesa futura e aumentam a divida pública não escriturada em dezenas de milhões de euros), forçar poupanças nas despesas de funcionamento do Sector Público Administrativo, ser solidária com a restrição ao crescimento real dos salários. Em suma, deverá forçar a credibilização deste OE2010 como ano zero de uma proposta de revisão do PEC que defenda os interesses de Portugal.
Em coerência terá de fazer isto mesmo. Caso contrário, perderá toda a razão.
Amanhã no Correio da Manhã

 

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Aos domingos

 

  

Aos domingos, antes da sincronização das nove do Blackberry, a Frederica salta da cama, testa a flexibilidade, toca com os dedos no chão, e sai para a rua em traje de treino com o sumo multivitamina a correr no esófago. Da casa em frente, com uma assoalhada a mais do que a nossa e um salão de jogos na cave, sai a amiga da Frederica em traje de treino e com o batido proteico, substituto alimentar, a chegar ao estômago. Partilham a Volvo, arrancam do Restelo, estacionam no Chiado, e fazem quarenta e cinco minutos de ginástica passiva. A contradição lexical consiste em estar deitado dentro de um fato de astronauta com eléctrodos colados aos glúteos e ler a Vip. Quando a Frederica não troca a rua e estaciona a Volvo em frente a uma casa com uma assoalhada a menos do que a nossa e sem clarabóia na entrada, regressa ao Restelo pela hora em que termino de ler os RSS feeds da Bloomberg e depois da segunda sincronização do Blackberry. A Frederica veste as calças de napa e a parka Burberry, eu visto as calças de veludo cotelê e a parka Burberry, a Frederica muda os pertences da mala Carolina Herrera da ginástica passiva para a Louis Vuitton a tiracolo que comprou nos leilões do Ebay, eu ponho o auricular num bolso e o carregador do PDA no outro, tiramos o Tomás, o Vicente e o Rodrigo da frente do PES (Pro Evolution Soccer) e abotoamos-lhes as parkas da Burberry, damos-lhe as Playstations Portable para a mão, saímos na Volvo ao mesmo tempo que a amiga da Frederica, o marido e os três filhos, passamos pelo quiosque do senhor Amianto para comprar o Expresso e a Vogue, e estacionamos em segunda fila em frente à 'Pastelaria do Restelo - O Careca', ao lado de uma carrinha Volvo de sete lugares. 

 
Todos os automóveis estacionados na rua são carrinhas Volvo compradas por uma pechincha à empresa depois de terminados os leasings, todos têm sete lugares, todos têm três cadeirinhas de criança nos bancos traseiros, todos têm variante 4X4 por causa dos fins-de-semana na Comporta e do caminho de terra batida para o 'Aqui há Peixe', todos têm matriculas recentes - com as letras no meio, todos têm o DVD do Shrek em repeat na televisão de bordo, todos têm estofos em pele, aplicações de madeira escura, cruise-control, sensores de estacionamento traseiros, jantes de liga leve, porta-copos nos bancos traseiros e barras de tejadilho, todos trouxeram o Expresso e a Vogue, o Blackberry sincronizado com a agenda, Vicentes, Rodrigos e Tomás e as Playstations Potable, e todos transportam famílias que moram no Restelo

 

(fora aqueles que dizem que moram em Belém e vivem no ex-bairro social do Caramão da Ajuda ou os que se gabam de ter comprado casa no Restelo, mas têm um T1 no Bairro da Serafina)

 

e todos se sentam à  mesa, na pastelaria, de forma idêntica à nossa: o Vicente, o Rodrigo e o Tomás junto à Francisca que lhes fala com modos.

‘O menino, hoje, só come um plamier porque já é quase hora do almoço de Domingo e depois perde o apetite

 

(como se o apetite fosse coisa que se perdesse e nunca mais se tivesse de volta)

 

E eu dou por mim junto dos outros pais, recorrendo a comportamentos territoriais, na disputa do último tabuleiro de doçaria vária e quando regresso à mesa em equilíbrio trapezista de copos, sumos e pires, engano-me e tendo a confundir o meu Vicente, o meu Rodrigo e o meu Tomás com o Vicente, o Rodrigo e o Tomás da mesa ao lado. Por isso, acontece-me passar horas a planear umas férias à neve em família, entre dentadas no croissant, com uma Francisca ou uma Cláudia e só dar pela troca quando me dizem, envergonhadas, que as casas delas têm sebe de arbustos ou um minigolfe no relvado e reclamam a falta de banheira de hidromassagens.

 

Esta semana a minha mulher chama-se Carminho e a minha filha mais velha Condeixa, tenho uma moradia com salão de jogos e vista de Tejo, uma empregada ucraniana que diz ‘sinhô doutô’, passo os fins-de-semana prolongados na casa dos meus sogros na Praia Verde e estou em vias de entrar como sócio do escritório de advogados. Já me divorciei duas vezes. Como todas alegaram em tribunal ‘manutenção de estilo de vida’ e pago pensões de alimento avultadas, não voltei à ‘Pastelaria do Restelo - O Careca’. Caso contrario, somaria nova separação e trocava a Volvo por um Opel Corsa, os tacos de golfe do Belas Clube de Campo por o bilhar do Café Central de Benfica, passeava no Colombo ao Domingo e começava a pagar as prestações de um apartamento em Rio de Mouro, que dividiria com a Sandra Cristina e o meu Pedro Tiago.    

 

NA: Texto publicado na Revista Nós, do jornal i,  inspirado na grandiosa crónica 'Os meus Domingos' de António Lobo Antunes, sem o génio e numa versão upper class.

Só um perguntinha

Porque é que a Cofina ainda não tem o Canal de Televisão?

 

A - Porque José Sócrates ainda não deixou

B - Porque não há dinheiro

C - Porque nas previsões do Professor Bambo ainda não é o momento certo.

Tales of the civilised world

Em declarações prestadas ontem ao Select Committee da Câmara dos Comuns que investiga as pressões de Downing Street sobre os media britânicos, o director do The Observer relatou que, na véspera de uma das suas edições recentes, recebeu um telefonema de Gordon Brown, que tentou, durante cerca de uma hora, demovê-lo a publicar uma peça relativa ao facto de a tese do seu PhD na Universidade de Edimburgo ter sido defendida a um domingo, e de o seu exame de Technical Portuguese ter sido remetido por fax, em papel timbrado do departamento do Tesouro (toda a informação aqui).