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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A crise de Bissau

Ao ler esta análise de Paulo Gorjão sobre a crise guineense, não resisti a discordar de alguns pontos levantados pelo autor. Não existe reposição de statu quo ante, pelo contrário, o poder mudou de mãos. De facto, o golpe visou afastar o chefe das forças armadas, Zamora Induta, e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior. O resultado foi positivo no primeiro caso e quase de certeza positivo no segundo. Não há razões étnicas subjacentes a este golpe bem sucedido, pois os oficiais são balantas. A revolta explica-se pela falta de autoridade de Zamora, que pertence à geração mais nova que não participou na guerra colonial. António Indjai e Bubo Na Tchuto são veteranos e não recebem ordens de um militar que não respeitam.

Como conflito lateral está também uma luta pelo poder no interior do PAIGC. A questão do narcotráfico tem de certeza importância, mas não o saberemos com factos. Não percebo a razão para Paulo Gorjão admitir que Zamora vai ser libertado. Talvez seja, mas só quando os outros souberem que já não possui qualquer poder. Também não acredito que Carlos Gomes Júnior se mantenha no cargo, mas veremos.

As análises feitas sobre a Guiné esquecem frequentemente que quem manda naquele país são os militares. E, entre os militares, os que venceram os portugueses na guerra da independência. António Indjai é o novo homem forte e não há volta a dar.

Há civis que ganham influência, no caso Malan Bacai Sanhá, o presidente eleito em Setembro, que parece estar a manobrar alguns cordelinhos na situação, pelo menos como força moderadora, ou já haveria sangue a correr em Bissau. Não esqueçam que também ele é um veterano da guerrilha.   

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