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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A cubana que não se verga aos Castro

 

Numa sociedade onde o medo impera, a voz dela não se tem calado. Sozinha, contra todo o aparato policial da ditadura, denuncia a vergonhosa deriva moral do “socialismo” cubano, implantado em 1959 sob a promessa de libertar um povo escravizado – promessa imediatamente traída pelo despótico regime da família Castro, que condena o seu povo à penúria, à opressão e à morte.
“O meu filho morreu de pé, não de joelhos”, proclama Reina Luisa Tamayo, uma camponesa negra, pobre e analfabeta, que por estes dias tem causado pesadelos aos verdugos de Havana. Outras mulheres, no seu lugar, engoliriam as palavras, sufocadas pelo medo e pelas lágrimas. Ela, pelo contrário, proclama aos quatro ventos o orgulho que sente pelo filho, Orlando Zapata Tamayo, morto no termo de uma dolorosa e silenciosa greve de fome destinada a protestar contra as brutais condições prisionais na ilha.
Orlando fora preso a 18 de Março de 2003, durante a tristemente célebre ‘Primavera negra’ - faz hoje precisamente sete anos - que encheu as cadeias cubanas de presos de consciência. Ele nunca pegou numa arma: apenas defendia uma transição pacífica do regime para um sistema democrático, onde vigorassem as liberdades de expressão, reunião, associação e de imprensa. Um regime com eleições e tribunais livres.
Por isto – só por isto – foi condenado a três anos de reclusão, que suportou nas cadeias de Camagüey, Holguín e Piñar del Rio. A ditadura achou pouco: logo a pena foi agravada para 36 anos de prisão. Pretexto: Orlando não se conformava, dentro da cadeia continuava a protestar contra a violação dos seus direitos, exigindo condições penais adequadas ao seu estatuto de preso de consciência.
A 3 de Dezembro, entrou em greve de fome. Morreu a 23 de Fevereiro, perante o silêncio cúmplice da imprensa cubana, também ela amordaçada, e a notória incomodidade dos “amigos de Cuba”, que fecham os olhos e os ouvidos a todas as atrocidades cometidas pelo regime que condenou à morte este operário negro, de 42 anos, cujo único crime foi reclamar liberdade.
Reina Luisa aí está, orgulhosa do filho que recusou vergar-se aos esbirros que o encarceraram: em vez de lágrimas, solta frases que são como punhais contra a ditadura. Orlando Zapata Tamayo havia de gostar.

3 comentários

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    Pedro Correia 18.03.2010 12:00

    Faltou especificar se gostaria de viver fora ou dentro da cadeia, embora no caso de Cuba isso seja praticamente uma redundância.
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    Paulo Mestre 06.08.2010 09:47

    ADAM LIPTAK
    do "New York Times"

    Pela primeira vez na história dos EUA, mais de 1 em cada 100 adultos americanos se encontra atrás das grades, revelou um novo relatório.

    A população carcerária em todo o país aumentou em 25 mil pessoas no ano passado, chegando a quase 1,6 milhão. Outras 723 mil pessoas estão detidas em cadeias locais. Como o número de adultos americanos é de aproximadamente 230 milhões, isso significa que 1 em cada 99,1 adultos está atrás das grades.

    Os índices de encarceramento são ainda mais altos em alguns grupos da população. De acordo com o Departamento da Justiça de 2006, um em cada 36 adultos hispânicos está atrás das grades. A situação é a mesma para 1 em cada 15 adultos negros e para 1 em cada nove homens negros na faixa dos 20 aos 34 anos de idade.

    Divulgado pelo Centro Pew (Pew Center on the States), o relatório constatou que apenas 1 em cada 355 mulheres brancas de 35 a 39 anos de idade está encarcerada, mas que, no caso das negras, esse número é de 1 em cada 100.

    A metodologia usada no estudo difere da que é empregada pelo Departamento de Justiça, que calcula o índice de encarceramento usando como denominador a população total, e não a adulta. Quando se emprega a metodologia oficial, o resultado obtido é 1 em cada 130 americanos presos.

    De uma maneira ou outra, disse Susan Urahn, diretora administrativa do Centro Pew, "não estamos conseguindo desse nível de encarceramento o retorno esperado em termos de segurança pública".

    Custos em alta

    "Somos um país em que o encarceramento representa uma resposta fácil à criminalidade", prosseguiu. "A intransigência com o crime é uma posição fácil de se assumir, especialmente quando se tem o dinheiro para isso. E, nos anos 1980 e 1990, nós tivemos esse dinheiro."

    Hoje, disse o relatório, com menos recursos à disposição dos Estados, os custos do sistema penitenciário causam rombos nos orçamentos estaduais -que gastam em média quase 7% com esse item, taxa que só perde para saúde, educação e transportes.

    Em 2007, segundo a Associação Nacional dos Planejadores Orçamentários Estatais, os Estados gastaram US$ 44 bilhões com o sistema. Levando-se em conta a inflação, é um aumento de 127% em relação a 1987.

    Em 2005, o ano mais recente para o qual existem dados disponíveis, o custo médio anual de cada detento era US$ 23,8 mil, mas os valores variam muito de Estado para Estado. O custo do atendimento médico aos presidiários aumenta 10% ao ano, segundo o relatório, e deve aumentar com o envelhecimento dos presos. O estudo recomendou que os infratores não-violentos não cumpram pena em prisão e que infrações de condicional que sejam técnicas ou pouco importantes sejam punidas com penas alternativas.

    Outra sugestão do texto é que os Estados estudem antecipar a soltura de alguns presos menos perigosos.
    (Maldito sejas copy&past)
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