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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Marcelo, PSL e o quarto candidato

A entrevista de Pedro Santana Lopes ao semanário Sol tem algumas pérolas que convém ir registando, porque marcam o regresso do enfant terrible do PSD - ou do PPD/PSD, como sempre preferiu dizer. "Acredito que haja mais um candidato", diz Santana Lopes, sem especificar. Eu também acredito que apareça um quarto candidato e não estou propriamente a pensar no Castanheira Barros.

 

Marcelo Rebelo de Sousa pode ser esse quarto candidato, se quiser. O professor, ao contrário de Aguiar-Branco e de Rangel, beneficia com o facto de haver outras três candidaturas. Ou seja, teria mais dificuldades e mais pruridos em entrar na corrida mano a mano com Passos Coelho e esse problema deixou de existir com o avanço fracticida dos  dois rivais do Porto. Até ao fim, provavelmente até ao dia do congresso extraordinário ou ao fecho das candidaturas às directas, Marcelo vai debater-se com o seu velho dilema.

 

O antigo presidente do PSD sabe que desta vez, a avançar, tem sérias possibilidades de ir a votos em legislativas e de se tornar primeiro-ministro, o seu velho sonho de infância. É isso que alimenta o apetite aos outros três candidatos. O apelo de Belém está, para já, adiado sine die, enquanto Cavaco Silva mantiver o tabu da recandidatura. Nesse campo, Marcelo só terá de se precaver com o regresso a Lisboa de Durão Barroso, daqui a cinco anos. Por isso, terá de estar activo até à sucessão de Cavaco. Na política activa ou na televisão.

 

Outra nota a registar na entrevista de Santana Lopes é a sua análise sombria da situação interna do partido. "O PSD não é um partido, é uma casa de ódios", diz Santana. Se juntarmos a isto a notícia do diário i, que adianta que o ex-líder está de volta e vai partir a loiça ao congresso, podendo até voltar a ameaçar com a retirada, temos o filme completo.

 

Como já disse aqui antes, o congresso de Mafra parece-se cada vez mais com o de Viseu, em Fevereiro de 2000. Três candidatos assumidos (na altura Barroso, Santana e Marques Mendes) e um outsider a discutir ideias (na altura Paulo Teixeira Pinto). Na altura, Santana chegou a esse congresso depois de várias notícias que o davam como estando de saída e a preparar um novo partido - que se poderia chamar PSL, Partido Social Liberal - e acabou por ficar para herdar o poder (podre) da mão de Barroso.

2 comentários

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    Francisco Almeida Leite 28.02.2010 17:22

    João,

    Vejo o seu ponto. Mas continuo a achar que a força de Marcelo Rebelo de Sousa é mesmo a empatia que consegue criar com as pessoas, de todos as condições sociais e até políticas. Marcelo não esteve, ao contrário de Cavaco Silva, dez anos no poder, pelo que não tem que fazer travessia nenhuma no deserto. A sua mais-valia é justamente a proximidade que conseguiu criar com as famílias, à hora do jantar, enquanto muitas delas vêem televisão (péssimo hábito, que de resto condeno). Sem essa "ligação directa" ao povo, sem ela na RTP, na TVI ou na SIC, MRS perde o seu palco natural, fora das quezílias político-partidárias. E perderá terreno também na sucessão de Cavaco, onde terá que enfrentar um Barroso enfraquecido (aí concordo consigo) e muito provavelmente outros 'players' que irão querer seguir os ensinamentos que Jorge Sampaio aplicou ao PS. Ou seja, a jogada de antecipação.
    Tirando o comentário televisivo, resta a Marcelo o palco do partido, que, está visto, não deseja por aí além...

    Cumprimentos
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