Voyeurismo de Estado
A calamidade que se abateu sobre a Madeira tem dado direito a directos de todas as televisões, que mobilizaram para a região autónoma muitos dos seus meios técnicos e humanos. Num desses directos, vi uma reportagem da estação pública numa cantina militar onde estavam dezenas e dezenas de desalojados. Comiam desolados, pobres homens, mulheres e crianças. Sem casa, com as vidas arrasadas pelo temporal. E a estação pública entrevistava-os, pedia-lhes pormenores sobre o grau das suas perdas, enquanto mostrava as caras e a câmara circulava alegremente pela sala. Como se se tratasse do programa de variedades da manhã. Até que uma mulher virou a cara e escondeu o rosto. Disse não aos voyeurs da desgraça alheia. Era para isto que a ERC devia servir.