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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Polémica com Blasfémias

O autor de Blasfémias Rui a. acha triste a minha mentalidade, parcialmente responsável pela pobreza do País.

Na blogosfera portuguesa corre uma tese que atribui aos empresários nacionais qualidades acima do vulgar. São geralmente os mesmos autores que lamentam a forma como a economia portuguesa se tornou dependente do Estado. O blogue Blasfémias está na vanguarda de uma corrente de opinião liberal que atribui grande parte dos problemas portugueses ao excesso de intervenção estatal. No entanto, de vez em quando, escreve-se no mesmo blogue que os empresários portugueses são uma maravilha.

 

Se Rui a. quer ser coerente, terá de admitir que os empresários nacionais têm beneficiado de elevados padrões de subsídio-dependência. Por exemplo, dependência dos subsídios europeus. Estará o autor disposto a reduzir de forma drástica as ajudas de Estado de que as empresas têm beneficiado?

Os empresários portugueses não beneficaram apenas de subsídios pagos com dinheiro do contribuinte. Tiveram acesso a poder político, o que se traduziu em contratos de Estado, negócios com empresas do Estado, etc. Quando numa economia, o Estado controla metade, é óbvio que apenas as muito pequenas empresas podem viver sem ele. Tudo isto gera lucros e enriquece os proprietários.

Por outro lado, nos sacrifícios, os empresários já parecem ser dispensáveis. O raciocínio é o seguinte: não sei o que é um rico, não disponho aqui de uma definição exacta, logo, dispenso-o de uma taxa adicional sobre os seus rendimentos. Depois, são enumerados vários argumentos técnicos muito sensatos.

Como afirmei no post anterior, isto é uma injustiça política. A teoria é bonita, mas pouco prática. Não é possível continuar a pedir mais sacrifícios aos portugueses, sem os pedir a todos os portugueses, nomeadamente aos que podem pagar. E também é evidente que os ricos têm de pagar mais do que os pobres, pois muitos destes já estão no limiar da fome.

Querem a TSU mais baixa? Então participem.

Querem subsídios? Então, participem no esforço. Por exemplo, não compreendo como pode haver subsídios europeus e nacionais para grupos que abusam dos off-shore. Mas essa é outra conversa.

 

O buraco nas contas públicas terá de ser pago, e não é com receitas extraordinárias. O ajustamento do próximo ano será bem mais difícil do que estava previsto no memorando da troika, pois os 1,8 mil milhões de euros de défice adicional passam para o ano seguinte e só serão cobertos este ano por receitas extraordinárias que penalizam fortemente a classe média. Chama-se a isto empurrar com a barriga, cortesia do anterior governo socialista (socialistas que agora sacodem olimpicamente a água do capote).

O que me espanta é o facto de parte da direita também não ter percebido a dimensão do problema e continuar a defender teses como a de Rui a. Taxar os ricos só vai dar 100 milhões? Dá 200? Pois, faça-se na mesma, e por razões de equidade ou simbólicas ou o que queiram. Desta vez, não serão apenas os do costume a pagar, aqueles que não podem fintar o fisco e que têm mostrado grande bom senso em aceitar os sacrifícios que nos são impostos pela ajuda externa.

Bom senso que os ricos parecem achar dispensável, quando lhes toca a vez.

5 comentários

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    Luís Naves 27.08.2011 14:27

    O autor deste comentário coloca problemas interessantes. "Sangrar" a população é fácil, "sangrar" as fortunas não é.
    A questão tem a ver com o sistema fiscal, que beneficia os ricos, os quais têm múltiplas formas (repito, legais) de fugir com o rabinho à seringa. Se aumentarmos os impostos, então haverá ainda maior fuga.
    Mas isto não é uma resignação muito portuguesa? Será que conseguimos reformar o país? Há países mais avançados do que o nosso onde é, de facto, possível "sangrar" os ricos, na expressão usada pelo comentador.
    E qual é a lógica de um Estado não conseguir "sangrar" uma fortuna que em grande parte é baseada nos favores desse mesmo Estado e nos subsídios obtidos desse mesmo Estado?
    Então, quando é necessária solidariedade nos dois sentidos, os milionários nunca estão disponíveis?

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    Alexandre Carvalho da Silveira 27.08.2011 15:10

    Luis Naves, eu limitei-me a constatar a (triste) realidade do sistema fiscal portugues. Como é possivel o detentor da maior fortuna em Portugal pagar "apenas" 64 mil euros de IRS?
    O seu ultimo paragrafo, é elucidativo. Nem numa situação de calamidade economica, financeira e social, como a que vivemos, os que andam há longos anos a beneficiar largamente das prebendas do estado, logo dos impostos dos que a eles não podem fugir, se chegam á frente.
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    Ricardo Silva 29.08.2011 03:14

    Simples: o detentor da mair fortuna do pais paga sobretudo IRC (imposto que recai sobre as accoes), nao IRS (que recai sobre o salario que ganha enquanto administrador)...
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    Alexandre Carvalho da Silveira 29.08.2011 12:17

    Meu caro, todos sabemos isso, não é? O que não sabemos, eu pelo menos não sei, é se ele paga IRC em Portugal, porque provavelmente tem as holdings sediadas noutras paragens com climas mais apraziveis. Ou até mais frios. Mas sempre noutras paragens!
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