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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Da importância das gravatas.

 

Depois do imposto extraordinário, que é de facto extraordinário em todos os aspectos, a medida mais emblemática deste Governo foi o despacho assinado pela Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, a dispensar o uso da gravata aos funcionários do Ministério. Não se pense que a medida não tem significado pois, como foi explicado pela Ministra, permite poupar no ar condicionado de um Ministério que "tem 1500 edifícios e 10500 funcionários". Com esses números, eu só me pergunto como é que alguém ainda pensa em gravatas. Haveria antes que perguntar como é que um Ministério pode ter 1500 edifícios, sendo que cada um deles se destina em média a ocupar apenas sete funcionários. Não seria mais simples vender os edifícios que seguramente o Ministério tem a mais, com enorme poupança de despesa e aumento de receita?

 

Mas como o assunto da gravata é de facto de importância transcendental, os espanhóis estão a mostrar-nos que nada têm a ver com os brandos costumes portugueses ao tratar deste assunto. Parece que o Ministro da Indústria espanhol, Miguel Sebastián, que também tomou medida semelhante no seu Ministério, apareceu no Parlamento sem gravata. Chocado com a situação, o Presidente do Parlamento, José Bono, mandou imediatamente oferecer-lhe uma gravata através de um funcionário. O argumento foi o de que a decisão do Ministro da Indústria não se poderia aplicar a actos oficiais e a sessão plenária do Parlamento não era uma "reunião folclórica". Mas em lugar de agradecer a generosa oferta e acatar a censura, o Ministro da Indústria saiu do Parlamento tão desgravatado quanto entrou. E não satisfeito, na sessão do Parlamento seguinte, o rebelde Ministro voltou a reincidir a aparecer sem gravata. Tal valeu-lhe, como não podia deixar de ser, nova censura do Presidente do Parlamento, que nem sequer aceitou o argumento de que o Primeiro-Ministro do Japão tinha passado a ir ao Parlamento sem gravata pelos mesmos motivos. Consciente da importância do seu cargo, o implacável Presidente do Parlamento perguntou se o Primeiro-Ministro japonês também se apresentava sem gravata perante o Imperador do Japão. A isto a resposta do Ministro foi heróica: "Seguiré sin corbata diga lo que diga Bono y el emperador del Japón". Quem pode resistir a este grito de revolta? Contra as gravatas, marchar, marchar!

 

 

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