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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Ainda há "festa" e "farinha". E felizmente não há "forca"...

 

Dos 10 milhões de portugueses, 2 milhões são jovens, mais de 4 milhões estão abaixo dos mínimos para o pagamento de imposto, e, destes, 2 milhões em baixa, face ao limiar da pobreza. Isto é, quem sustenta cerca de dois terços das receitas fiscais são apenas 500 000 pessoas, as novamente sobretaxadas. Basta misturar um movimento mobilizador da preguiça com uma selectiva emigração, para que tudo se afunde.

 

Logo, como a maioria sociológica tem natural medo da mudança, até o dito hayekiano Vítor Gaspar teve de vangloriar-se com a circunstância de equidade social rimar com a infelicidade de dois terços dos cidadão não serem abrangidos pela sobretaxa, cujo resultado imediato é a proletarização da tal classe média dos 500 mil.

 

Como não chegam aos dez mil os ricos que o fisco cata, isto é, os incautos que estão na máxima escala do IRS, não será expropriando-os que conseguiremos a tal revolução de os ricos pagarem a crise. Convinha começar pela verdadeira libertação: transformar os remediadinhos em remediados. E estes em classe média, isto é, extinguindo muito do estado a que chegámos, sobretudo a cobardia eleitoral dos partidos sistémicos e o situacionismo dos que metem o programa na gaveta logo que se ministerializam.

 

Falta um pouco mais de espírito do capitalismo, como foi sustentado por éticas como a protestante e por eficácias de gestão, como as dos judeus nossos, antes de a fidalguia estadualizar a Inquisição. Infelizmente, o socialismo democrático e a social-democracia prometeram o que ainda não cumpriram. Porque os riscos infiscáveis ficaram cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres.

 

Um tal presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (1977-1978), Raymundo Faoro, em 1958, no tratado "Os Donos do Poder", fez adequada análise do bicho, em lusofonês weberiano, e com a maioria dos capítulos sobre Portugal, quando por cá só havia marxistas de pacotilha. Os tais que também nunca leram o pai do Xico, Professor Sérgio Buarque de Holanda, em "Raízes do Brasil", 1936.

 

Isto é, só pode haver mudança depois de um adequado diagnóstico das causas da crise estrutural. Já chega de teorias da conspiração. O nosso problema é deixarmos de ser pobres. Sobretudo, de espírito.

 

Assim sendo, os grandes elogiadores da bela ordem imposta de fora têm de actualizar o respectivo dicionário quanto à palavra agiota. Esta de haver ajuda para que os ajudadores façam excelentes negócios com a pretensa filantropia é quase equivalente aos que se vangloriam com a nossa impotência face a um consenso nacional. O colonizador nunca liberta. Explora as fendas da muralha e dá trela aos que mais espumam.

 

Foi por esta e por outras que apareceu a Revolução de 1820 e a Patuleia. Por causa do proteccionismo do Marechal Beresford, das memórias de "El-Rei Junot" e dos cabrais. Depois veio o Ultimato e a bancarrota, e até mataram um rei que era neto de Vítor Emanuel. Espero que a classe média dos lojistas não tenha que entrar no desespero da Carbonária. Não estamos ainda na monarquia napolitana, ainda há "festa" e "farinha" e felizmente não há "forca". Mas continuamos a traduzir em calão os três "efes" que deram origem à verdadeira carbonária.

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