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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Resposta à Resposta da Perguntazinha

Caro Vasco, quem não tem Münchau caça com Campilho. Obrigado pela resposta! Não tenho agora tempo para responder em extensão e profundidade mas vou tentar mariposa porque estou prestes a viajar para um país bonito e deveria ir dormir mas considero que...

 

...primeiro: outra vez um limite de 40% ou 60% do PIB? Onde é que já vimos isto? E onde é que já vimos este tipo de regra ser respeitada? Volto pois a colocar em cima da mesa a minha perguntazinha e as minhas dúvidas quanto à credibilidade;

 

...segundo: seniority tem muito que se lhe diga. Há aqui um certo elemento de chantagem que só pode ser classificado de uma maneira: default. Ou compras eurobonds, trocando com desconto as bonds nacionais, ou ficas com as bonds nacionais e perdes dinheiro. De qualquer forma, os credores perdem dinheiro: nada que eu já não tenha previsto e que todos os economistas não-políticos (?!) não estejam já fartos de saber. Os eurobonds têm toda a aparência de serem um plano pelo menos tão bom como as alternativas para levar a cabo um default parcial e selectivo de forma amigável (como é que se diz "lol" em linguagem económica?). Mas isso só por si não garante credibilidade nem triple A, talvez garanta que o rating dos eurobonds seja superior ao das dívidas nacionais, o que já não é mau;

 

...terceiro: joint and several liability: esta é tão pouco credível que pode, só por si, fazer com que os países não se consigam entender sequer quanto à criação dos eurobonds. Mas isto traz ainda outro problema no bico: se a "Europa" (quem é a Europa? pois) hesita e não resolve o problema de PEQUENAS economias como é o caso da grega, irlandesa e portuguesa, nada nos garante que consiga resolver problemas maiores mesmo com eurobonds. Aliás, os eurobonds podem acabar por servir para facilitar o ainda maior endividamento de países como a França e a Itália. Isto tem a ver menos com o meu post da perguntazinha e mais com o post da Itália Aí Tão Perto. Como dizia o Wolfgang no outro dia, uma França ou "apenas" uma Itália não tem capacidade de se resgatar a si própria e a Europa, ainda que junta, também não tem (já tem sido um martírio resgatar qualquer uma das PEQUENAS economias periféricas, nem é bom pensar se o país a precisar de resgate for médio ou grande).

 

Se, se, se os problemas chegarem à Espanha e/ou à Itália a Europa, mesmo que "junta e solidária" e mesmo que com eurobonds fica num grande sarilho e, nesse caso, tal como escrevi no últmo post nem em sonhos azuis com estrelinhas amarelas irão os eurobonds ter triple A. Imaginem que quem tem dificuldade em pagar à entidade emissora dos eurobonds (quem?) é uma Espanha ou Itália: estarão em causa números com muitos algarismo "zero" à direita, mesmo muitos: quem é que vai cobrir o dinheiro em falta? Se calhar é a China, se esta estiver disposta a fazer parte dessa Europa "junta e solidária" (e a Europa gostar da solução)...

 

 

 

P.S.: Adorei o "esquissei".

 

P.S.2: Se os eurobonds são masculinos, então as bonds serão femininas?

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