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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Nós, os galegos do sul

 

 

No Jornal de Notícias de hoje, o novo subdirector do diário, Jorge Fiel, escreveu um artigo de opinião cujo título diz tudo: “Eu, galego do sul”.

 

Nesse artigo, Jorge Fiel escreveu duas coisas semelhantes a outras tantas que já aqui escrevi: o facto indesmentível da Serra dos Candeeiros ser a fronteira natural entre dois “Portugal” e a dúvida sobre a estratégia política de D. Afonso Henriques ao rumar a sul em vez de conquistar a norte.

 

Alguns amigos do Albergue ficam um pouco irritados quando escrevo sobre estas temáticas e os meus bons amigos sulistas aproveitam sempre para um telefonema acompanhado do respectivo puxão de orelhas relembrando a este visigodo, este celta de meia tigela, sobre a unidade nacional, a língua comum e os séculos de fronteira imutável entre outras pérolas do género. Confesso que fico sempre satisfeito quando um dos meus comparsas, um sulista monárquico, reafirma que o nosso/meu problema é não ter(mos) sido romanizado(s)…

 

Porém, o problema é outro. É a velha questão do não querer ser lobo e não lhe vestir a pele. Recentemente, foi a questão da linha Porto-Vigo e a vergonha de ver a RENFE solucionar um problema criado pela CP. Já para nem lembrar, como lembrou Jorge Fiel, a questão das SCUT. Ou a forma como os dois maiores partidos enfiaram a Regionalização nos fundos de uma qualquer gaveta e pensar que a Grécia, perante a actual crise, foi obrigada a regionalizar deixando Portugal como o último reduto europeu do centralismo. E depois, meus caros amigos, é ver e ouvir os nossos responsáveis políticos, sejam do PS ou do PSD, a ter intervenções infelizes em fóruns realizados aqui por estas bandas.

 

O último caso paradigmático ouviu eu no encerramento do “1º Open Day Europe in my Region – Euroregião Galicia/Norte de Portugal – Desafios Transfronteiriços da Europa 2020”, no passado dia 8 de Julho na Casa da Música. O representante do governo português teve uma tirada, logo no arranque e repetida ao longo da sua intervenção, discorrendo sobre a Euroregião que vai do Norte da Galiza até Setúbal! Na primeira vez, poucos notaram o requinte da coisa. Porém, após sucessivas repetições desta nova ideia geográfica era ver o espanto de boa parte dos galegos presentes e ouvir, nos corredores, alguns responsáveis regionais sobre o tema. Numa iniciativa do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galicia-Norte de Portugal e na qual uma das temáticas era os fundos comunitários 2014-2020, Portugal lembra-se de redesenhar o mapa…

 

Quando temos o Alberto Feijoó (Presidente da Xunta da Galicia) ou o Jesús Gamallo do conselho superior da AECT (Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galicia-Norte de Portugal) falarem da forma como se livraram do centralismo de Madrid e sublinharem, nos mais diversos fóruns, a importância da nossa Euroregião (que compreende, para quem não sabe e parece que não sabem mesmo: A Coruña, Lugo, Pontevedra, Ourense, Minho, Grande Porto, Trás-os-Montes, Douro e Entre Douro e Vouga) a que propósito temos, assim como quem não quer a coisa, responsáveis nacionais a engordar o mapa e a reescrever a história?

 

Valha-nos Deus. Só posso terminar citando Jorge Fiel com uma ligeira adaptação: É em momentos como estes, cada vez mais frequentes, que questiono a opção geográfica de Afonso Henriques – e me sinto mais um galego do sul do que um português do Norte.

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