Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Um minuto de antena, se faz favor.

Dada a sessão de apedrejamento colectiva que se verificou neste blogue durante o dia de hoje, cumpre-me vir aqui esclarecer alguns pontos que tomaram proporções desmesuradas sem que houvesse nisso algum sentido.

 

- O post não é contra Passos Coelho. Partiu daí porque calhou ser levantada a questão durante a conferência de imprensa. Mas é uma história antiga pela qual tenho uma embirração de estimação.

 

- O post não pretende valorizar o Serviço Privado vs o Serviço Nacional de Saúde. Parece-me unânime que em situações graves é no público que não nos deixam morrer. O problema é quando o caso não é de vida ou de morte, quando só temos uma amigdalite a estoirar pelas goelas e não temos maneira de passar uma manhã no Centro de Saúde para nos receitarem antibiótico. É por isso que há hoje, em Portugal, uma grande percentagem de famílias de classe média com planos de saúde (não necessariamente só as “ricas”).

 

- Quando falo em “abastados”, já estou como uma comentadora que diz “Estou longe de ser rica mas, perante o desastre do panorama nacional, digamos que faço parte da classe "abastada". Se alguém aqui achou que eu era rica, fique desde já a saber que vou ser uma velha sem reforma (valham-me os meus quatro filhos).

 

- Finalmente, à polémica e infeliz frase “facto que, em si, já lhes deveria permitir entrar no Hospital de Santa Maria pela porta grande”, tenho a dizer em meu abono que, quando a escrevi o que pretendia dizer é que as ditas classes abastadas (incluíndo o próprio Belmiro de Azevedo) já pagam taxas suficientes para terem todo o direito de entrar em qualquer hospital público, SEM SEREM PENALIZADAS (pronto, se calhar faltava isto).

Foi uma forma de expressão que utilizei sem ter em mente a explosiva antítese (a tal porta pequena para os desfavorecidos). Depois de reler o texto, admito que possa ter levado a malentendidos, mas, aos senhores que não me conhecem, tenho a dizer que seria a primeira a mandar um murro no olho do segurança que mandasse entrar alguém pelas traseiras.

 

- Para que não restem dúvidas, considero o sistema de escalões de IRS perfeitamente lógico e justo: recebe mais, paga uma percentagem maior. O que considero injusta e ilógica é a sobretaxação de um serviço que tem obrigação de estar assegurado pelo bolo global.

 

Esclarecidos estes equívocos, gostava de colocar algumas questões aos apedrejadores mais convictos que falam da vergonhosa fuga ao fisco dos ricos e do meu sentimento anti-solidário por me atrever a sugerir que não é justo haver sobretaxação em serviços públicos:

 

- Quando a vossa taxa de IRS aumenta sentem que vão ser mais solidários ou têm vontade de mandar um par de tabefes aos membros do governo?

 

- Fuga ao fisco? Se houver aí alguém que tenha declarado às finanças o valor de compra de uma casa pelo valor que realmente pagou, que levante o braço. E as facturas?? As facturas do táxi e do almoço, as que vão direitas para o contabilista de qualquer PME sem serem despesas relacionadas com o negócio? E a malta que declara salário minímo e recebe o resto por fora?  E o pedido ao Sr. Antunes que foi arranjar o telhado para não passar factura? Ui, ui. Pois é.

 

 

6 comentários

Comentar post