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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O rei dos Zeligs

 

 

 

 

 

Em 1983, Woody Allen escreveu o argumento para um filme que realizou sobre a estranha vida de um homem que padecia de um estranho distúrbio. A trama fala sobre Leonard Zelig, um homem desinteressante que tinha a notável capacidade de transformar a sua aparência na das pessoas que o cercavam.

 

Lembrei-me da história a propósito de um notável artigo de José António Saraiva e de uma personagem que, embora dotada de capacidades para um papel menor, adquiriu o dom de assumir e projectar o poder daqueles que com ela privam.  Mais, revelando uma estranha variante do mal de Zelig, não só projecta o pathos dos que a entretêm e bajulam como chega, mesmo, a assumir as suas dores. E, numa variante à variante, predispõe-se ao tristíssimo papel de mensageira dos recados dos poderosos em que por simpatia se transforma, auto-induzindo, por esta via, uma acrescida sensação de poder e uma quase demencial impunidade discursiva.

 

Porém, esta variante transgénica do Zelig seminal possui adaptabilidade mitigada. Emula apenas os génios que têm levado ao quase apocalipse esta caricatura de cenário por onde deambula. Pula, de transformação em transformação, mas as personagens que emula são cada vez mais sempre as mesmas. Ao contrário do original, falta-lhe um verdadeiro golpe de asa. Sobra-lhe a desfaçatez e a arrogância. No país dos quase Zeligs, há um que impera…

 

amanhã no Correio da Manhã