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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Democracia Verdadeira = Populismo do Pior (3/3)

Os exemplos de manipulação e sequestro da linguagem são numerosos e constituem uma ferramenta de controlo e desinformação. (...) Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos maioritários (...). [Do manifesto da "Democracia Verdadeira"].

 

Que hipocrisia! Então estes tipos que se queixam da "manipulação e sequestro da linguagem" não têm vergonha de realizar eles mesmos esse tipo de manipulação? Perder o respeito pelos partidos políticos maioritários equivale a perder o respeito pelo voto das pessoas que escolheram esses partidos. Porque é que não o dizem explicitamente? Sejamos claros: o que eles não têm é respeito pelas pessoas que votam de tal forma. E que forma é essa?

 

6. Democracia Verdadeira significa dar nome à infâmia em que vivemos: Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu, NATO, União Europeia, as agências de notação financeira (rating), como a Moody’s e a Standard and Poor’s, o PS, PSD, CDS (...). [Mesmo linque, bold meu].

 

Portanto, o meu voto só merece respeito desde que eu não vote no PS, PSD e CDS. Votar nos que se lamentam pelo fim da União Soviética e que não vêem razões para classificar a Coreia do Norte como uma não-democracia: aí sim, o voto já merece todo o respeito. Votar em padrecas trotskistas moralistas: aí sim, o voto já tem dignidade.

 

10. Não apelamos à abstenção. Exigimos que o nosso voto tenha uma influência real na nossa vida.

 

Inconsistente: primeiro dizem que o voto é inócuo e que os cidadãos têm uma "participação eleitoral nula". Depois já dizem que são contra a abstenção e a favor do voto. O que eu acho que eles, realmente, desejam é que o voto no PS, PSD e CDS passe a contar como voto em branco e o voto em partidos de esquerda conte a dobrar, ou a triplicar se for na esquerda hiper-radical.

 

Finalmente, há aqui uma sinceridade que convém registar:

 

um evento capaz de abrir novos sentidos às nossas acções e discursos. Isto nasce da RAIVA. Mas a nossa RAIVA é imaginação, força, poder cidadão.

 

Atenção que aquelas letras maiúsculas não são minhas: fazem mesmo parte do manifesto.

 

Qual é então o melhor e mais adequado sentimento em que se deve basear um regime e mobilizar uma democracia? Raiva! É preciso ainda escrever mais alguma coisa para se perceber a verdadeira essência desta "Democracia Verdadeira"?

 

 

A democracia portuguesa, liberal, eleitoral, representativa, parlamentar, formal, substancial, que fique de olho: o que está ali acampado no Rossio não é nada de bom. E, em definitivo, não tem nada de democrático: é populismo do pior.

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