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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Passa por mim no Rossio

Bom, este será um post algo extenso, comparando com o que é habitual. Há muito que não escrevia para esta casa mas a verdade é que a transição de um emprego para outro exige alguma dedicação e tentativa de equilíbrio do novo quotidiano.

 

Decidi-me a escrever sobre o que se está a passar no Rossio (No Rossio, em Madrid, em Barcelona, em Bruxelas,...) Porque simplesmente ninguém o faz. Não percebo, não percebo este desprezo. Como é que estão, há vários dias, a acontecer assembleias populares com centenas de pessoas, cidadãos comuns, novos e velhos, migrantes, empregados, precários e desempregados, a discutirem o futuro e o presente no Rossio, acampando em solidariedade e em voto de protesto, e simplesmente não há órgão de comunicação social que dê um minuto sequer de destaque a isto! Cheira a democracia nas Ruas e não há quem propague o aroma. Não percebo. Chamem-me ingénua. Continuemos a dar tempos de antena a lavagens de roupa suja e atribuições de culpas, jogos sujos de retórica maquiavélicos, escândalos de campanha e afins. Estas prioridades devem ser mais pedagógicas.

 

Não é uma iniciativa dos jovens, como se poderá vender por aí. Não foi nada disso que vi. Eu vi uma massa tão heterogénea quanto podem imaginar!  Querem perceber o que digo? Passem por lá. E não precisam de ser de esquerda. Quando é que percebem que isto é um problema de todos? E que depende de nós fazer e alargar o debate sobre estas problemáticas? Eu sou de direita e acreditem quando vos digo que quanto mais o espectro for alargado melhor serão os resultados! A Rua é de todos e se é lá que o debate está a tomar lugar, então é lá que devemos estar para perceber posições e sugerir propostas. Não podemos, simplesmente, denegrir este tipo de movimentações com desdém, porque isso é muito fácil de fazer. Se não concordamos, se achamos que deveria ser diferente, se temos voz, vamos-lhe dar uso!

 

Eu sei porque lá estive e porque lá estarei: Quero uma auditoria às contas públicas! Quero que essa auditoria seja feita por entidades independentes, não por aquelas que querem que paguemos. Quero saber o que se deve, porque se deve e como se deve. Quero ver as parcelas todas, saber o que foi público e o que pertence a sectores privados. Eu tenho o direito e o dever de saber o buraco negro em que estamos para saber se devo ou não pagar. Não me interpretem mal, não sou contra o FMI e o que eu não pago são dívidas da banca por exemplo...

 

Se ganhasse um euro por cada vez que me chamaram “Comuna” ou “Esquerdalha”, estava milionária, mas milionária do género Zeinal Bava. Mas não sou. Nasci em 1987, ando de cravo ao peito porque acredito nos valores de Abril, faço manifs, trabalho mais de 8 horas por dia e sou precária. Tenho as minhas ideias, tenho as minhas considerações, o que a maioria das vezes faz de mim independente e solitária. Acredito na Democracia. Acredito que grande parte dos problemas dos partidos começam nas suas juventudes. Sou militante de um partido. Não me revejo a 100% nele. Luto pelas questões em que acredito. Escrevo neste blogue honrada e humildemente, por poder dar a minha perspectiva e construir a minha literacia cívica, correndo, por vezes, o risco de ir contra a corrente. 

Desde que me comecei a debruçar activamente sobre estas questões apercebi-me, e apercebo-me cada vez mais, das dinâmicas de “esquerda” e “direita” e o quanto me fazem urticária. Não sou politóloga, não percebo muito de economia, provavelmente cometo muitos erros por desconhecimento, admito, mas como ontem alguém me disse, sou “intelectualmente honesta” e estou bem assim.

 

Não precisam de concordar comigo, podem até fazer comentários com fundamentos ideológicos e históricos que eu posso até desconhecer para me fazer crer que a realidade não é bem assim e para me sentir um bocadinho mais ignorante. A minha resposta é a seguinte: vocês não conhecem a minha realidade, a realidade de muita gente, e eu falo do que sinto todos os dias, falo do que vejo com a vontade incansável de aprender por isso tudo o que for construtivo, façam o favor.

 

Este texto parece de esquerda? Não me importa e também não vos deveria importar tanto estas categorizações!  Que hábito horrível que temos de rotular todas as coisas. Ainda vejo e sinto o marasmo de muita gente que simplesmente não se importa, porque o que será será, ou então que até concordam mas não estão para isso porque vai haver alguém que faz a luta por eles. Esquerda ou Direita o que importa é haver uma revolução de consciências...para mudarmos realmente as coisas! E isto é algo que deveria ser importante para todos !

 

Antes de tecerem considerações, passem por lá se tiverem oportunidade! Porque isto não é "mais uma manif" ou "treino para o Avante" como eu própria cheguei a dizer antes de lá ir e tentar perceber o que realmente é.

 

Obrigada por lerem!

 

Mais informações aqui.

 

 

 

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