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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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O jogo dos socialistas

O Partido Socialista iniciou esta campanha eleitoral tentando criar uma divisão entre Paulo Portas e Passos Coelho. Se os dois líderes da direita discutirem entre si terão menos oportunidades para criticar a gestão ruinosa dos socialistas, minando as suas possibilidades de vencer.

Julgo que a estratégia é lógica, embora esteja condenada ao fracasso. A direita tem tudo para vencer estas eleições e o próximo governo resultará de uma coligação entre PSD e CDS.

Na minha opinião, Paulo Portas cometeu dois deslizes importantes na fase dos debates: entusiasmado com as sondagens, colocou a fasquia do seu partido demasiado alta; o outro erro foi ter atacado os autarcas com uma frase pouco feliz (para mais, a expressão autárquica do CDS é mínima). O PSD tem dois problemas: uma parte do partido detesta o CDS e gostaria de ver o líder atacar mais Paulo Portas; o resultado do PSD será tanto pior quanto maiores fores as perdas de votos para a direita. Mas é preciso ganhar as eleições, o que será difícil, e também é preciso pensar no que acontecerá a 6 de Junho.

Os debates correram mal a Portas, devido aos dois erros mencionados, e a Sócrates, que não conseguiu defender os seis anos de governo. Correram bem a Passos, que estancou a perda de votos à direita e atacou com eficácia os socialistas; e correram bem a Louçã, que está a subir depressa e ainda pode ultrapassar os comunistas.

 

Levando em consideração que os estrategas têm bom senso, é importante que os dois partidos da direita se concentrem no seu adversário, que é José Sócrates, o primeiro-ministro socialista que criou a situação em que o país se encontra. Dívida sem precedentes, resgate internacional, perda de soberania, um desemprego que caminha para os 13% (algo nunca visto).

Em Espanha, a direita venceu as eleições regionais e prepara-se para vencer as legislativas, que se realizam no início do próximo ano. A direita espanhola está unida e teve a paciência suficiente para esperar a sua vez.

Em Portugal, a situação não é muito diferente: a direita está condenada a unir-se: mas, primeiro, tem de vencer estas eleições e cooperar numa governação que será muito difícil e exigente.

Isto ganha-se com inteligência, não é a fazer o jogo dos socialistas.