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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Passos Coelho responde a perguntas de bloggers

"Tenho talvez o defeito, eu julgo que é uma qualidade, de ser sempre o mais genuíno possível. E acho que nunca ninguém está preparado para tudo". Foi desta forma cautelosa que Pedro Passos Coelho respondeu a uma pergunta que lhe fizera João Gonçalves, e que era aliás a última questão da blogconf (uma espécie de conferência de imprensa para bloggers) que decorreu esta tarde em Sintra. Uma pergunta para cada convidado e o staff do candidato já a olhar para o relógio, pois ainda havia duas acções políticas previstas.

A questão era incómoda e pode resumir-se da seguinte forma: os seus adversários acusam-no de impreparação e baseiam nisso toda a campanha. Qual é a sua resposta?

Pedro Passos Coelho explicou que o seu adversário, José Sócrates, se preparara desde muito cedo para ser primeiro-ministro. E, apesar da preparação, "não há desculpa para tanto disparate". O mais importante é aplicar as políticas correctas. "Qualquer coisa que eu possa fazer, não custará ao país 78 mil milhões de euros".

A pergunta incluía uma parte sobre as críticas internas do PSD e os seus efeitos na campanha. Neste ponto, Passos Coelho defendeu o pluralismo interno, lamentou que houvesse críticas tão perto de eleições, mas rematou com uma frase que visava Sócrates: "Pessoas que falam grosso e dão murros na mesa em regra não têm razão".

 

O PSD organizou em Sintra esta conferência; seria fastidioso enumerar todos os blogues presentes, mas além do Albergue estavam, entre outros, Miss Pearls, Cachimbo de Magritte, o Diplomata, Corta-Fitas, Portugal dos Pequeninos. Infelizmente, poucos blogues da esquerda (que foram convidados) e que podiam ter colocado questões. Coube-me uma das primeiras perguntas, semelhante à de João Gonçalves, embora não tão ao osso. No fundo, quis saber por que razão as sondagens sugerem um resultado decepcionante para o PSD. A causa está nas divisões internas do partido, na hostilidade da comunicação social, na deriva populista da campanha?

Pedro Passos Coelho não quis falar nas sondagens, reconheceu as dificuldades e sublinhou que a dinâmica eleitoral poderia favorecer o seu partido na recta final, após ter deixado claro que não fará uma coligação com o PS. Isso teria prejudicado a esperança de Paulo Portas de haver um governo de unidade com socialistas, social-democratas e centristas. "Não gosto de saladas russas eleitorais", disse Passos Coelho.

Mas acima de tudo, acrescentou o líder do PSD, as dificuldades das sondagens deviam-se "à eficácia da estratégia de medo que o engenheiro Sócrates tem seguido". Trata-se de criar mitos sobre as propostas do PSD, explicou, criando receio e falseando as verdadeiras posições do partido.

 

Tirando este momento, o essencial das questões levantadas na conferência diziam respeito às intenções do PSD. E houve algumas informações interessantes. O líder social-democrata disse que, se formar governo, a cultura será autonomizada e ficará dependente do primeiro-ministro. Passos Coelho repetiu a ideia de criar um executivo pequeno, só com 10 ministros e explicou que não haverá ministério da agricultura, já que muitos projectos desta área não avançam devido a conflitos com outros ministérios (ambiente, ordenamento, etc.). Assim, a melhor estratégia será a de englobar todas estas áreas.

No âmbito da reforma do Estado, Passos Coelho também mencionou a necessidade de racionalizar os serviços partilhados por diferentes organismos estatais, a informática, por exemplo, ou o pagamento de salários. Quando falou de justiça, referiu um número importante: há 15 anos, havia 600 mil pendências na justiça portuguesa; agora, há 2 milhões. "O sistema judicial tem de ser reformado", disse.

O líder do PSD também falou das desigualdades regionais, que na sua óptica cresceram, e da necessidade de repovoar o interior de Portugal. "Se começamos a acabar com freguesias no interior, vamos tornar o país ainda mais injusto".

 

Já na recta final, a conferência com blogues teve um momento potencialmente polémico, quando Passos Coelho foi questionado sobre o papel da comunicação social nesta campanha. "Nos últimos dias, o tratamento que as televisões têm dado ao primeiro-ministro e ao governo é desproporcionado em relação ao PSD", disse Passos Coelho, referindo-se a intervenções de ministros que comentam propostas do maior partido da oposição. "Penso que o governo, que se demitiu, devia abster-se de participar na campanha eleitoral", rematou. 

 

Foto indecentemente furtada a O Diplomata