Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Legislativas (6)

 

 

DEBATE PAULO PORTAS-PEDRO PASSOS COELHO

 

O presidente do PSD perdeu esta noite uma excelente oportunidade de invocar algumas bandeiras sociais do seu partido perante os eleitores indecisos que o escutavam. E a ocasião era até propícia para o efeito: Pedro Passos Coelho tinha pela frente, no estúdio da SIC, o líder do partido situado mais à direita no hemiciclo de São Bento. Passos preferiu, no entanto, falar de temas macro-económicos: poupança do Estado, receita adicional dos cofres públicos, taxa social única, crescimento económico, criação de emprego, um "esforço adicional" dos portugueses para a diminuição do défice das nossas contas. Questões importantes, sem dúvida. Mas insuficientes para quem esperaria do principal partido da oposição uma olhar menos economicista sobre os problemas que afligem o País. Paulo Portas, que recentemente se gabou de liderar um partido situado "à esquerda" do PSD em preocupações sociais, tinha razões para estar satisfeito quando Clara de Sousa deu por concluído o debate.

Portas e Passos mostraram-se cautelosos ao longo deste frente-a-frente. Sabendo que existem fortes probabilidades de coexistirem num governo a empossar por Cavaco Silva após as legislativas de 5 de Junho, mostraram uma notável contenção verbal que em certos momentos roçou a monotonia. José Sócrates, adversário de ambos, esteve mais ausente deste debate do que se esperava. E nos escassos minutos de real despique político a iniciativa coube quase sempre ao presidente do CDS-PP, certamente animado pelas sondagens. "Temos visto o PSD variar em muitos assuntos muito depressa", afirmou Portas, ironizando acerca da "enésima versão do PSD sobre a taxa social única" ou as posições erráticas que os sociais-democratas têm assumido em matéria fiscal. "O senhor já uma vez teve que se desdizer quando disse que não aumentava impostos", lembrou. E foi ainda mais incisivo ao apontar o dedo crítico ao partido laranja em questões agrícolas: "A política do PSD para a agricultura, nos últimos anos, foi um deserto."

Passos, aparentando mais calma do que o seu interlocutor, aludiu a uma maioria absoluta em que nem sequer no PSD já ninguém parece acreditar: na sua opinião, "não é irrealista" que os eleitores dêem aos sociais-democratas "as mesmas condições que deram ao PS no passado". Nenhum estudo de opinião sustenta tal tese. O presidente laranja sabe, portanto, que uma coligação com os democratas-cristãos constitui o maior seguro de vida política pós-eleitoral para o partido que lidera. Daí talvez a excessiva bonomia com que tratou Portas. Noutros tempos, com outros líderes, este jamais teria sido um debate entre iguais. Mas o PSD já não é o que era. E o CDS também não. Algo se vai movendo no aparente imobilismo da política portuguesa.

 

...................................................................

 

FRASES

Portas - «As pessoas estão preocupadas em soluções para o País e não em tricas entre os políticos.»

Passos - «Um governo PS-CDS-PSD seria uma salada russa.»

Portas - «O PSD não fez o suficiente para ser premiado com o voto.»

Passos - «O programa desenhado pela troika é o preço da incompetência que tivemos durante seis anos a governar Portugal.»

Portas - «O senhor foi muleta de José Sócrates.»

Passos - «O PSD não é muleta de ninguém.»

 

...................................................................

 

ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Paulo Portas da campanha legislativa de 2009

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.