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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Re-estruturar, Re-estruturar, Re-estruturar,...

1. Em Portugal, de entre os principais líderes partidários, parece-me que só Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã defendem a re-estruturação da dívida pública. Fora de Portugal, sobretudo em meios académicos e de policy analysis, a re-estruturação é defendida por muitos como a opção acertada. Tal como o pedido de ajuda era inevitável, também a re-estruturação é inevitável. E tal como a ajuda chegou primeiro à Grécia e acabou por chegar a Portugal depois, também haverá um ciclo europeu de reestruturações de dívida.

 

2. Segundo a imprensa, a média dos juros a pagar pelo empréstimo do FMI/FEEF andará entre os 5,5 e os 6 por cento. Estas taxas não garantem, antes agravam o problema da solvabilidade dinâmica das contas públicas. É muito interessante que as taxas exigidas pelo FEEF sejam mais altas do que as do FMI: aquela agência europeia parece estar menos interessada no futuro económico (e político) da Europa do que o FMI.

 

3. Talvez não seja o mais importante mas as razões que levam a esquerda a defender a re-estruturação não serão as melhores. Uma coisa é alertar para a insolvabilidade dinâmica agravada pela "ajuda" do FEEF. Coisa bem diferente é não querer pagar dívidas porque o dinheiro vai para os capitalistas...

 

4. Para o economista João Rodrigues, Portugal, Irlanda e Grécia deveriam usar a ameaça de reestruturação da dívida para obter juros mais baixos, um prolongamento do empréstimo ou medidas menos duras. Se a UE não ouvir os apelos, "a única saída que resta às periferias é avançar para um processo conjunto de renegociação da dívida", conclui (retirado de um artigo de hoje do Público, que vale a pena ler). Afinal, não sou só eu a defender a "chantagem dos 3%" (também aqui e aqui).

 

5. "Neste momento acreditamos que a Grécia está no bom caminho para se tornar sustentável e consideramos que não é necessário reestruturar a dívida", afirmou o diretor do departamento europeu do FMI, António Borges, citado pela agência EFE (daqui). Isto não é António Borges total e absolutamente errado (não posso acreditar que ele esteja mesmo convencido do que está a dizer)... isto é, espero, António Borges em acto desesperado de apaziguamento dos mercados (uma tentativa de gestão de expectativas ou assim).

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