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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Uma analogia futebolística

O PSD tem obrigação de vencer as próximas eleições, não por causa do PSD, mas por causa do País.

Nunca foi tão urgente derrubar uma situação. O partido que nos levou à bancarrota e à condição de pedintes internacionais, o Partido Socialista de José Sócrates, quer agora escapar à sua responsabilidade. As frases de Eduardo Catroga são "caluniosas" e "inqualificáveis", diz um dirigente socialista. Mas se o país chegou a este ponto, não foi um fartar vilanagem? Desemprego histórico, dívida pública histórica, a duplicar em meia dúzia de anos, o descalabro financeiro nos ministérios, nas autarquias, nas empresas públicas; a incerteza total sobre quem vai pagar as contas, sobre se haverá salário e emprego, mais a humilhação de sermos forçados a engolir um plano de austeridade imposto de fora, sem margem de manobra para quem vencer as eleições. Só nos dão o dinheiro (e por favor) se concordarmos, antes da votação, com tudo o que a troika decidir.

A União Europeia estilhaça o espírito e a letra dos tratados europeus, mas essa é outra história, uma factura que Bruxelas pagará mais tarde.

 

Para já, o essencial é que o País precisa de mudar e é necessário que os cidadãos ignorem a batota mediática. A realidade é torcida para que se pareça com o mundo alternativo que José Sócrates criou nos últimos seis anos e que nos levou a este descalabro. Os comentadores repetem mil vezes meias verdades distorcidas, demonizando a oposição, pegando em detalhes insignificantes para ocultar o essencial, que é o estado calamitoso da economia e o nosso afundamento financeiro.

 

O eleitor deve fazer uma primeira pergunta: "Como é possível que o país esteja nesta situação e de quem é a responsabilidade?"

E a resposta parece-me simples: houve um fartar vilanagem que beneficiou uns quantos, venderam-nos ilusões e governaram-nos mal. No mínimo, o Governo foi incompetente.

A segunda pergunta do eleitor deve ser "quem nos pode tirar do buraco?"

E nessa resposta será necessário escolher entre dois: entre quem nos lançou para lá, os socialistas, ou quem tentou evitar o colapso, a direita. 

Muitos portugueses vão votar nos partidos de protesto, mas julgo que desta vez é melhor para o País que a direita vença as eleições. E, na direita, o partido que pode formar governo estável é o PSD. Será preciso credibilidade, sensatez, mas sobretudo verdade e mudança. Quanto mais fraco for o PSD, mais instável a situação a 6 de Junho.

Quando os media nos distraem com pequenos incidentes estão a tentar enganar-nos. Tentam criar uma ideia de que os políticos são todos iguais, o que é mentira. Tentam demonstrar que um governo de direita seria fraco e inútil, o que é outra mentira. Por vezes, caem em contradição, juntando o argumento da fraqueza ao da destruição do Estado social (eles seriam pouco eficazes e capazes ao mesmo tempo).

 

O que se passa na política portuguesa tem uma analogia futebolística: uma das equipas tenta enervar a outra, derrotando-a com truques de cabaret; os jogadores lançam-se para o chão e fingem-se vítimas de agressões; a força da gravidade é especialmente forte na grande área do adversário; há anti-jogo e falta de ética; no fundo, pouco futebol para mostrar e muito teatro. A certo ponto deixa de haver jogo, só há provocações e picardias, como se diz em futebolês, só há incidências.

Mas o público deve exigir aos jogadores que joguem segundo as regras e aos comentadores que não favoreçam sempre o mesmo, a equipa que faz mais batota e que tem os árbitros do seu lado.

Num jogo de futebol, o resultado é sempre mais ou menos irrelevante. Haverá outra taça, por isso a analogia não funciona totalmente. No confronto político, o que está em jogo é o nosso futuro, o que é bem mais sério. Desta vez, estaremos a votar entre a continuação da nossa ruína e uma pequena esperança de reconstrução.    

 

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