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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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António Barreto e os monstros

De entre os homens verdadeiramente livres, no sentido cartesiano da expressão, o meu preferido é António Barreto. Conseguiu algo raro: ganhou um espaço político fora dos partidos sem precisar de oferecer pão e circo - a larga maioria das pessoas fica mais baixa e curvada com a idade, mas Barreto parece hoje ainda mais alto, insuportavelmente alto quando por vezes o vemos ao lado de alguma figura de circunstância.

Tudo para chegar à ideia que apresentou num qualquer colóquio. Uma ideia simples que certamente condenaria na sua juventude. E o que defendeu? Que na Constituição passe a ser obrigatório a aprovação por maioria absoluta dos programas de governo. Isso evitaria instabilidade e ruído desnecessário o que face às circunstâncias é uma boa ideia. Como outras que poderiam ser lançadas.

Assusta-me que os nossos homens livres, os melhores entre os melhores no seu caminhar para o fim, estão a condenar a democracia em nome da própria democracia. O valor da estabilidade é mais importante do que o valor do confronto e do combate pelas ideias. Alguns dos nossos melhores pedem consenso, responsabilidade, juizinho, segurança, união. Nessas boas intenções viraram as costas às convicções e abriram uma caixa de Pandora de onde podem sair monstros. António Barreto é um homem livre e que soube o que foi lutar por convicções. Deveria saber que a liberdade é imperfeita e tem um preço.   

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