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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O dia em que podia ter roubado um carro mas fui antes ao jantar do Albergue Espanhol.

 

 

 

 

Era o fim da tarde. O sol deitava-se sobre um Tejo plácido e tépido que cacilheiros sulcavam em câmara lenta. Uma brisa suave e carregada de pólen fazia as delícias dos lisboetas imunes às alergias primaveris. E eu próprio não estava muito aflito enquanto percorria, no passo estugado de quem se julga atrasado, o percurso que vai dos bas-fonds da Bica até à ampla, luminosa e portuária 24 de Julho. Chegado à marginal artéria, tendo já a Kapital à vista, estaquei num repente perante uma chave de automóvel displicentemente  atravessada no meu caminho. Nisto vejo o João Villalobos, grande "gestor vírgula empresário" que esta tarde abrilhantará o painel da cultura do evento final do Mais Sociedade, aproximando-se de mim com grande à propos. Após os cumprimentos da praxe, conferenciámos em torno da chave caída. Que fazer? Chegados à conclusão que nenhum dos dois queria aquele carro nem dado - quanto mais roubado - decidimos entregar a chave aos cuidados do restaurante onde íamos jantar: o Maritaca. Já na companhia do António Nogueira Leite, deixámos uma jovem de agradável presença - o que viria a revelar-se uma constante no dito estabelecimento - tomar conta da ocorrência enquanto encomendávamos Mojitos ao balcão.

 

Entretanto haviam-se juntado a nós o mestre de cerimónias José Aguiar e também António Figueira, que quebrou o unanimismo coquetélico com um Campari Soda. Numa última leva juntaram-se a nós Rodrigo Saraiva, Luís Naves e Francisca Prieto - pobre cronista me confesso, que não m'alembram os aperitivos que tomaram. Ainda com os copos de coquetel a meio tomámos assento no fundo da sala, e logo estalou a polémica: lambrusco ou um simples tinto? A salomónica solução foi mandar vir ambos, não sem reclamar um frappé também para o tinto, irritantemente quente como tantas vezes em restaurantes que deveriam saber a diferença entre temperatura ambiente e temperatura de serviço. Já sobre a ementa houve consenso a favor da liberdade de escolha - a ausência de José Adelino Maltez fez-se sentir mas o espírito liberal que o anima não deixou de imperar entre os comensais. Houve risottos, bifes, hamburgueres, pizzas e calzones, e toda esta diversidade conviveu na paz e na harmonia entrecortada pelo chocalhar dos talheres e musicada por um quarteto de jazz.

 

Não inquiri da satisfação dos alberguistas com o que lhes foi servido, mas pelo que pude julgar pelos semblantes pós-prandiais ninguém terá saído desapontado com o repasto. Confirmo que houve quem tivesse feito vaquinha de pizzas, mas jurei não revelar quem e essa informação irá comigo para o túmulo. Reserva absoluta também sobre as conversas tidas à mesa, que o Albergue Espanhol não é nenhum Conselho de Estado. Posso apenas dizer, porque me encontro expressamente mandatado para tal, que Futre foi evocado, e que houve assinatura de autógrafos nos exemplares do Jardim Botânico (comprai e lede) e de O Filho de Campo de Ourique e Outras Histórias (lede após comprardes). À saída ainda tivemos direito a assistir a algumas voltas de Moto GP em plena avenida. Onde está a troika quando precisamos dela?

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