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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Regime Político e Resultado Económico

 Foto de Miguel Manso e Nuno Ferreira Santos retirada daqui.

 

O que me irrita nas manifestações populares do 25 de Abril é esta cultura política em que não se separa o regime político do regime económico, em que não se distingue o sucesso merecido e estabelecido (político) e o resultado meio-bom-meio-mau (económico).

Queríamos democracia? Tivémo-la: foi um sucesso e merecemos celebrá-la! Outros há cuja democracia teve de lhes ser imposta, ou porque não a souberam criar ou porque utilizaram perversamente o seu mecanismo provocando a auto-destruição do próprio regime democrático. Ao invés, a nossa democracia teve origem interna: é nossa e foi constituída para nós e por nós. É orgulho e mérito português, que nos dignifica e que, sobretudo neste período de dificuldades de soberania, nunca se deveria afastar da nossa memória - e do conhecimento dos outros.

O 25 de Abril trouxe um regime democrático. É certo que passou por altos e baixos, do início até, pelo menos, à primeira revisão constitucional - mas a democracia prevaleceu e é hoje um facto.

Coisa diferente é o regime económico. Tanto a riqueza como a pobreza podem coexistir quer em democracia quer em ditadura. Além disso, a riqueza não se conquista por revolução nem por decreto, nem pelo poder das chaimites e muito menos pela força das canções, cartazes e palavras-de-ordem. Houve revoluções pela liberdade feitas cantando (os países bálticos). Mas gerar riqueza nunca foi a arte das cigarras.

A insatisfação económica e social não deveria pôr em causa, nem sequer minimamente, o nosso apreço pelo 25 de Abril. As conquistas de Abril são definitivas; e por pouca que seja a satisfação popular com o cenário económico presente, em nada deve o nosso orgulho pela democracia ser minorado. Não é legítimo confundir regime político e resultado económico.

 

Quanto à situação económica, apesar dos vários ciclos, estamos, em média, mesmo no meio da actual crise, melhores do que estávamos à trinta e sete anos. Mas ainda que o resultado fosse outro e pior é preciso dizer que nem só de PIB vive uma sociedade: os benefícios directos da democracia não passam pela contabilidade nacional mas nem por isso são menos fruídos que os bens materiais. Até no meio do descalabro económico, a democracia existe e dela beneficiamos.

Aliás, é a própria democracia que neste momento nos apresenta a possibilidade de nos salvarmos da desgraça económica que potencialmente se avizinha. As eleições de 5 de Junho decidirão isso: repetir a incompetência desastrosa e o nefasto populismo socialista que deitou a economia a perder; ou confiar em quem propõe mudança com realismo e honestidade.

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