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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O Regime

Em política, quando não se tem nada para dizer ou quando não se sabe o que dizer, o que é quase o mesmo, usam-se chavões de popularidade garantida. Como a política tem horror ao vazio, os profissionais da coisa andam sempre municiados de frases feitas, tão “politicamente correctas” quanto possível, mas que, na prática, pouco ou nada dizem. Vem isto a propósito da nova muleta dos velhos e novos políticos, a necessidade de mudar o regime.

 

É claro que a ignorância larvar sobre o que tal significa assegura a eficácia do chavão. Porém, nunca é dito, nem como, nem para que outro regime, muito menos se caracteriza o que este outro significaria, de facto ou sequer em tese. Como bem lembrou Luciano Amaral num artigo que recomendo, as nossas experiências históricas de mudança de regime tiveram resultados que importa relembrar. A substituição do falido rotativismo monárquico pela Primeira República trouxe-nos um regime corrupto, financeiramente descontrolado, violento e quase demencial. A sua substituição por um outro em 1926 trouxe-nos o que alguns de nós ainda conhecemos e de que não tenho saudades.

 

Mudar de regime em si não é nada, nem nos salvará da tragédia para onde esta Terceira República nos conduziu. De facto, lutar contra o despesismo descontrolado, a corrupção e o compadrio é melhorar o regime, não é mudar de regime.

 

Amanhã no Correio da Manhã

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