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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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O pântano das ilusões

O País está a viver uma crise sem precedentes e prepara-se para aceitar condições que o vão transformar durante anos num protectorado europeu. O grupo que está em Lisboa a negociar um resgate imporá o programa do próximo governo. É disso que se trata: as condições do empréstimo implicam regras duríssimas, que começam a ser reveladas a pouco e pouco.

Ao mesmo tempo, os chamados "senadores" da república falam em concórdia, convergência, união entre partidos. E algumas das condições que nos serão impostas obrigam a revisões constitucionais.

Nunca houve em Portugal uma tal perda de direitos para a população e destruição tão radical do Estado social, que é uma conquista recente. E corremos risco sério de sermos obrigados a reestruturar a dívida.

As uniões partidárias para adiar a discussão são isso mesmo, um adiamento. Não devia ser este o momento para enfrentarmos os nossos problemas? Não quero concórdia, quero verdade. Não quero santa união, quero mudança.

Devemos fazer a mesma famosa pergunta que fez Ronald Reagan aos eleitores americanos: "Estão melhor do que há quatro anos?". Para nós, o exercício de memória ainda é mais fácil, ainda não passaram dois anos desde a última eleição.

 

A taxa de desemprego em Portugal atingiu o valor recorde e continuará a crescer. O endividamento do Estado não tem paralelo com o que aconteceu na nossa História, incluindo quando caímos em bancarrota, em 1892. Veja-se o gráfico neste post de Álvaro Santos Pereira, em Desmitos, como a curva subiu nos últimos seis anos.

A responsabilidade do descalabro é do actual governo e do primeiro-ministro José Sócrates, que não ouviu os avisos que lhe deram os seus próprios ministros, que levou o país para a ilusão do seu próprio mundo virtual. Era tudo uma ficção, uma narrativa retórica, demagógica e falsa.

 

Mas para Sócrates toda a responsabilidade continua a ser da oposição, do PSD, dos radicais, de todos os que não compreenderam a grandeza da sua visão. E continua a fazer afirmações sem uma dose de verdade, de que resiste ao que nos querem impôr, que sempre tentou negociar com toda a gente.

Em vez de se reconhecerem os erros, a estratégia de campanha socialista será mergulhar ainda mais na fantasia, fazer a fuga para a frente. Culpar sempre os outros e sacudir a água do capote. Este era o Portugal dos Magalhães, das novas oportunidades, dos TGV para lado nenhum. Agora, o país afunda-se e Sócrates gaba-se da obra que nos levou para o fundo. Onde já se viu algo assim? Quem nos atirou para o buraco tem condições para nos tirar dele?

 

Nesta conjuntura, quando o País precisa de mudança, o PS assusta os portugueses dizendo que a mudança urgente é "aventura". Talvez funcione e os socialistas vençam as eleições, mas esse desfecho seria alargar o pântano, através de uma mentira final, na sequência de uma longa dose de mentiras que nos fizeram viver a ilusão mais ruinosa de sempre.

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