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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Dropping Cannabis

 

 

 

 

No ano passado, mais ou menos por esta altura, escrevi um alinhavado de lamúrias detalhadas sobre o martírio da maternidade em época de férias escolares.

 

Este ano, estou como alguns judeus sobreviventes aos campos de concentração que preferem não mencionar o holocausto, na esperança de varrer da memória os episódios mais apocalípticos.

 

Há porém um grave incidente ocorrido na A2 na sexta-feira passada que me vejo obrigada a relatar, sendo para isso necessário contextualizar a situação a fim de deixar imaculada a minha imagem como mãe de família.

 

Eu pecadora me confesso: fui consumidora de cannabis em plena autoestrada do sul.

Mas tenho a dizer, em meu abono, que estava em estado terminal e ao abrigo de cuidados paliativos.

 

É que passei uma semana a acompanhar um evento de carácter internacional chamado “Mundialito de Futebol”. Para quem não sabe do que se trata, é a mesma coisa que o Mundial de Futebol só que se joga entre Monte Gordo e Ayamonte e os atletas (aos magotes) andam pela idade Bollycao.

 

Ora depois de uma semana chuvosa a ser atropelada por comitivas liliputianas, com filharada à perna e cornetas nos ouvidos, meti-me à estrada e fugi de Monte Gordo como o diabo da cruz.

 

Lá por alturas de Aljustrel, parei para meter gasolina. Dirigi-me ainda em estado catatónico para a caixa da Galp e, enquanto tirava o cartão multibanco, pousei o olhar entre umas pastilhas Tridente de morango e umas Chiclets de hortelã pimenta. Apresentava-se à minha frente nada mais nada menos do que uma caixa de drops de canabbis.

Não hesitei em esticar o braço para me certificar da ocorrência. Era verídico, a caixa de drops colocava Aljustrel ao nível de Amesterdão.

 

Fui surpreendida por alguém mais veloz que de imediato exteriorizou a sua intenção de compra. Olhei para trás pensando encontrar uma jovem tatuada com ar de janada, mas verifiquei tratar-se de uma senhora de meia-idade decentíssima e toda simpática que declarou sem qualquer prurido que aquilo “era mesmo o que estava a precisar para animar aquele raio daquele dia cinzento”.

 

Sorri e comentei: “ao menos compramos a ilusão, não é?”

 

E pronto, dois euros e noventa mais tarde dei por mim estrada fora a chupar drops de cannabis (horrendos, por sinal) e a rir-me do disparate da situação.

 

Posso assegurar que a percentagem de erva nos rebuçados devia estar ao nível de um chá de tília, mas que foi coisa para me fazer sentir uma jovem radical, lá isso foi.

 

 

 

 

 

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