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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Os dias do fim

Ia escrever apenas sobre a sondagem publicada aqui, no Diário Económico, mas depois li os comentários, alguns de pessoas estupefactas, outros quase infantis, tipo Benfica-Porto (toma, embrulha, levas 5).

Se este fosse o resultado eleitoral, o PS vencia, com 36%, contra 35% do PSD. A direita teria apenas 43%, pouco mais do que teve em 2009. A única solução de Governo seria um bloco central liderado por José Sócrates.

O resultado da sondagem (ou barómetro), e vamos admitir que as eleições daqui a 45 dias davam estes valores, tem um dado preocupante: 10% dos inquiridos garantem que vão votar em branco. Não há memória de tal irritação dos eleitores; seria um nível de brancos dez vezes superior ao normal. Aliás, se é como se diz no texto, então existe um pequeno problema: a soma das percentagens dá 103%, já que os brancos não se distribuem.

 

Mas demos os valores como certos. O PS sobe 11 pontos percentuais no mesmo mês em que Portugal sofre a pior perda de soberania de que há memória em 190 anos. Ao fim de seis anos de erros crassos, de descalabro económico e financeiro, o governo de José Sócrates sobe nas sondagens. Mas não por um ponto ou dois, sobe 11 pontos de uma vez. A tendência é clara.

Não há desemprego recorde nem falências em massa. Está tudo a correr bem.

O maior partido de oposição, que apresenta uma possibilidade mínima de mudança, desce 12 pontos percentuais em relação ao barómetro anterior, isto no mês em que entra o FMI/FEEF/BCE, em que o país não tem dinheiro para pagar salários, no mês da humilhação colectiva.

Se o eleitorado português votar desta maneira, teremos um bloco central liderado por José Sócrates, que tem péssimas relações com os líderes da oposição, com o Presidente da República, com os seus ministros mais importantes, com as vozes dissonantes do PS. Ou seja, o político que não negoceia com ninguém vai chefiar a grande coligação no momento da maior crise nacional desde 1975.

Acham que há condições para um bloco central liderado por Sócrates?

Esse governo terá de durar quatro anos, ao fim dos quais Portugal estará definitivamente lívido e derrotado, transformado num protectorado europeu e num paraíso do socialismo.

Nessa altura, aparece no PSD um Santana Lopes qualquer, um dos que ajudaram a eleger e reeleger Sócrates, a dizer que tinha imensa razão. 

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