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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
por Luís Menezes Leitão

 

 

 

 

 

A única coisa que posso sentir neste dia é uma profunda tristeza pelo estado a que se deixou chegar o país e especialmente pelo que que aí vem. Tive já ocasião de visitar a Grécia e a Irelanda depois do que eufemisticamente se chama "resgate" do FMI. Tradicionalmente "resgate" era o dinheiro que se pagava para libertar alguém que tinha sido aprisionado por outrem. O que pude verificar, porém, nestes países é que esse pretenso "resgate" correspondia antes a uma verdadeira prisão, sendo especialmente sacrificadas as classes mais baixas com cortes violentíssimos nos salários, aumentos brutais de impostos, e tudo isto sem que a desconfiança dos mercados seja minimamente aliviada, pois as taxas de juro mantêm-se a níveis altíssimos. O "resgate" do FMI é um verdadeiro atentado à soberania nacional, como aliás bem se afirmava na Irlanda, onde as pessoas me diziam que estavam a perder o que tinha custado tantos mortos a conseguir. E quer-se lembrar às pessoas a vinda do FMI a Portugal em 1983 para referir que não foi problema. Pois eu lembro-me bem da vinda do FMI em 1983 com o subsídio de Natal retirado através de um imposto extraordinário e retroactivo, e da fome que na altura assolou o país, sendo confrangedora a situação de miséria que víamos atingir cada vez mais pessoas. O que  se deve perguntar é que culpa as classes média e baixa tiveram para ter que suportar as medidas de austeridade. Não deveriam ser aqueles que deixaram irresponsavelmente acumular os défices públicos e privados que os deveriam pagar? E disse Passos Coelho ontem que "o País não pode ser tomado pela responsabilização da culpa". Pois eu acho precisamente o contrário: que pode e deve ser tomado por essa responsabilização. É precisamente nas eleições que os políticos devem prestar contas dos seus actos.

10 comentários:
De Nuno Nasoni a 7 de Abril de 2011 às 09:28
Claro que as classes médias, baixas e todas as outras têm culpa! Estamos em democracia, esta gente não apareceu do nada! Nunca votei neles, mas colectivamente os portugueses têm exactamente o que pediram e merecem!


De Maria Antónia a 7 de Abril de 2011 às 17:42
nem mais ...


De lucklucky a 7 de Abril de 2011 às 10:25
"O que se deve perguntar é que culpa as classes média e baixa tiveram para ter que suportar as medidas de austeridade. "

Tal como diz o Nuno as classes medias baixas votaram na Dívida , votaram em viver acima das suas posses, foram comprados pelos Políticos de um Regime de Democracia Social que não tem entraves Constitucionais aos políticos comprarem os seus cidadãos com a riqueza futura e a dos outros.
Agora o Futuro começou a chegar e não tem lá nada.
Já comeram tudo em 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e ainda têm sorte ainda vão viver da dívida com o FMI.
O Povo Português terá o que merece.
E quando começar a pagar juros dos empréstimos de Sócrates ainda vai ser melhor.
No orçamento os Juros já são iguais aos gastos do Ministério da Educação.
Pena que tenha aparecido o FMI porque então é saberia o que era acabar o dinheiro em Maio de 2011.
.
E aí teria mesmo o que mereciam pelo seu analfabetismo. A democracia não é sustentável com ignorância.
A Irlanda diferente nas causas mas também foram os Irlandeses que votaram para entrar no Euro.
Um Euro que não poderia representar ao mesmo tempo economias estagnadas Alemã, Francesa e Portuguesa e economias dinâmicas como a Irlandesa.
Euro que tinha juros a quasi 0% quando a Irlanda crescia a 9%. Ou seja os juros na Irlanda eram negativos. Todos desataram a pedir emprestado...


De Maria Antónia a 7 de Abril de 2011 às 17:46
«A democracia não é sustentável com ignorância.»
É a segunda vez que vejo esta ideia aflorada em poucos dias. Antigamente, quem se atrevesse a emitir um parecer destes seria apelidado de nazi para baixo.
Finalmente, se começa a perceber que a democracia é um bem demasiado precioso e sofisticado para ser entregue a um povo antes de dar-lhe educação, civismo, valores morais, éticos, capacidade de auto-crítica, de autocontrole e uma data de outras coisas que o povo português não tem.



De FNV a 7 de Abril de 2011 às 10:31
Muito bom.


De Ricardo Vicente a 7 de Abril de 2011 às 12:56
"e tudo isto sem que a desconfiança dos mercados seja minimamente aliviada, pois as taxas de juro mantêm-se a níveis altíssimos"

Os mercados não se enganam: se os juros não baixam é porque as finanças públicas daqueles dois países continuam dinamicamente insustentáveis. E se se mantêm insustentáveis mesmo após o tal "resgaste" é caso para perguntar:

porquê o resgate e não outra coisa? Duas outras coisas estavam (e estarão disponíveis): default e reestruturação da dívida.


De a 7 de Abril de 2011 às 22:07
Cerca de 1/3 dos portugueses não parecem estar muito convencidos que as políticas seguidas nos últimos anos foram erradas. Acho que ainda vamos ter que sofrer mais.


De André Miguel a 7 de Abril de 2011 às 22:48
Concordo em absoluto com os comentadores que dizem que o povo tem o que merece, afinal o voto foi deles.
A titulo de exemplo basta olharmos para o mapa do Alentejo (note-se que sou alentejano) e ver a quantidade de câmaras comunistas, mas o povo continua a reclamar de ser uma das regiões mais pobres do país. Queixam-se de quê afinal?! Já o ditado popular diz que cada um tem o que merece.


De da Maia a 7 de Abril de 2011 às 23:06
Pior problema que a dívida será o clima depressivo... basta ver os noticiários durante os últimos meses, e multiplicar isso pelos próximos anos.

Pior problema é a invasão por um exército económico invisível, que impõe políticas, cobra impostos e deixa-nos impotentes para nos recompormos.

Estas batalhas económicas mais do que causarem mortos, instalam uma legião de mortos-vivos no país, e é claro, muitos vampiros - principais responsáveis da abertura dos portões da soberania.

Tem que haver responsabilização, e as balas têm que ser de prata!


De lucklucky a 8 de Abril de 2011 às 15:26
"Os mercados não se enganam: se os juros não baixam é porque as finanças públicas daqueles dois países continuam dinamicamente insustentáveis. E se se mantêm insustentáveis mesmo após o tal "resgaste" é caso para perguntar:

porquê o resgate e não outra coisa? Duas outras coisas estavam (e estarão disponíveis): default e reestruturação da dívida."

O Resgate não acabou com o Défice. O Défice continua existir, ou seja a Dívida Publica aumenta.

Que tal o Estado sem Défice?
Vai acontecer a bem ou a mal, assim como a reestruturação - só que a reestruturação não é ao contrário do que pensa e quer para endividar mais.


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