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Quarta-feira, 30 de Março de 2011
por Vasco Campilho

 

 

 

 

Quando abraçamos uma causa - seja ela política ou outra - corremos sempre o risco de perder a perspectiva mais geral. A dedicação pode-se transformar em obsessão, a lealdade em clubismo, a convicção em facciosismo. A linha que separa virtudes e defeitos do engagement é muito ténue, e por vezes ultrapassamo-la sem nos darmos conta. Quem não quer abdicar de um compromisso cívico, mas pretende manter uma postura tanto quanto possível racional, razoável e saudável, tem de aprender a defender-se das derivas a que o excesso de zelo no combate político conduz.

 

No meu caso, já de há uns anos a esta parte que encontrei um antídoto para o facciosismo. Esse antídoto chama-se Seixas da Costa. De cada vez que o meu sangue começa a borbulhar de irritação por alguma malfeitoria, mentira, distorção ou golpe baixo vindo das bandas do Partido Socialista - e nos últimos tempos tem sido várias vezes ao dia - penso em Seixas da Costa e volto à serenidade. Porque é impossível não reconhecer em Seixas da Costa o exemplo de uma figura que, sem nunca renunciar ao seu posicionamento político - que não é o meu - tem sabido sempre fazer prova de moderação no trato, de ponderação no julgamento e de rectidão no comportamento.

 

Num momento em que em Portugal, o combate político interno está ao rubro e tem evidentes dimensões externas, a nossa diplomacia está obrigada a demonstrar um sentido particularmente agudo daquilo que são as prioridades nacionais. Deve, evidentemente, prosseguir a política externa definida pelo Governo em funções, mas não se pode permitir ecoar aquilo que são elementos de um debate político interno: pelo contrário, tem que perceber que a sua missão neste contexto consiste acima de tudo em salvaguardar o espaço existente para que o debate democrático possa desenrolar-se com lisura e o maior grau de liberdade possível face às pressões exteriores.

 

É-me particularmente grato ver que também nesta conjuntura particularmente exigente para o seu métier, o meu "antídoto" para o facciosismo não desaponta. No artigo que escreveu para o Les Echos enquanto embaixador de Portugal em França (Programme de stabilité : pourquoi nous, Portugais, avons dit « non ») e que traduziu para português aqui, Seixas da Costa dá o exemplo do que verdadeiramente significa defender Portugal e a democracia portuguesa, e que pouco tem a ver com algumas campanhas recentemente decorridas. Sem dúvida um exemplo a seguir, e não só por diplomatas.

7 comentários:
De Francisco Seixas da Costa a 30 de Março de 2011 às 14:41
Muito obrigado pela simpatia deste seu post. Ontem, um amigo vindo de Portugal dizia-me que as minhas opiniões se devem ao facto de eu já estar muito "offshore"... Será?


De Vasco Campilho a 30 de Março de 2011 às 15:27
Pelo menos ainda não se tornou "nativo" :) E o País também precisa de ouvir as suas vozes off-shore. Mas quero crer que é possível manter essa postura on-shore...


De Pedro Correia a 30 de Março de 2011 às 14:43
Muito bem, Vasco. Subscrevo.


De João Afonso Machado a 30 de Março de 2011 às 15:10
Há algo mais de um ano o Sr. embaixador foi extremamente desagradável e deselegante para com a pessoa do Duque de Bragança. Utilizando mesmo um tom mesquinho.
Eu e muitos mais respondemos e recemos como resposta o silêncio.
Essa marca já ninguém a tira ao Sr. Embaixador.


De CB a 30 de Março de 2011 às 15:48
Onde?


De Helena Oneto a 30 de Março de 2011 às 16:56
Estou inteiramente de acordo com Vasco Campilho. Excelente post !

PS : Não posso deixar de dizer ao comentador monárquico que, conhecendo o Embaixador Francisco Seixas da Costa, parece-me não só injusto como insultante atribuir-lhe propósitos deselegantes ou mesquinhos.
Helena Oneto



De CB a 1 de Abril de 2011 às 08:52
Pois é! João Afonso Machado não consegue provar o que disse


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