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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

O Senhor Presidente, órgão unipessoal resultante do sufrágio universal, convocou, e muito bem, o Conselho de Estado, constituído por muitos venerandos pares vitalícios, mas que, para este efeito, são uma entidade constitucionalmente discreta, sem hipóteses do escrutínio público de um parlamento. Muitos confundem a entidade com a Câmara dos Pares, o Senado ou a Câmara Corporativa, quando nem sequer corresponde à antiga comissão permanente das Cortes renascentistas, onde tinham assento os procuradores do povo das principais cidades do país (os do primeiro banco, como então se dizia). Outros vêem a reunião como uma espécie de junta médica, com direito à verdade da ecografia, dos TACs e das análises, desconfiando daqueles médicos que, ainda há meses, não reconheciam a doença. E tudo acontece no preciso dia em que é conhecida a receita aplicada à Grécia pela geofinança, através da União Europeia, nesse contrato à força, típico de uma balança da Europa, comandada pelo directório das potências. Por cá, confundimos a árvore com a floresta e pensamos que o Conselho vai tratar de pôr a conversar Sócrates com Jardim, esquecendo-nos que o parlamento até criou uma comissão negocial para o efeito, só porque sabemos que tudo depende de uma conversa de Guilherme Silva com Jorge Lacão. Talvez fosse mais interessante recordar os elogios de Jaime Gama e Almeida Santos ao jardinismo e não darmos, ao grupo consultivo de Cavaco Silva, o ritmo do "agenda setting", como se o mesmo fosse mais um dos reverendos conselhos de honra, onde muitos põem o governo paralelo de alguns serviços públicos. Valia mais rejeitarmos esta tendência suicida das governanças sem governo, em regime de quase pilotagem automática, reconhecendo que a nossa verdadeira independência tem que voltar a ser gestão de dependências e interdependências, sem esta mania das grandezas do comemorativismos...dos tais cem dias que mudaram o mundo... Democracia, segundo a ética republicana, não é governo dos notáveis!

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