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Domingo, 24 de Janeiro de 2010

Sócrates, democraticamente falando, não existe. Tal como Manela. Tal como Paulo. Tal como Aníbal. Eles, e elas, apenas são os nossos representantes, isto é, aqueles que estão presentes em vez do Outro, esse transcendente situado chamado povo. Eles são um Estado que devia ser o Nós, mas, por deficiências educativas pombalinas, afonsistas e salazarentas, ainda julgam que o Estado são Eles, a soma dos Eus que votam contra ou a favor do Orçamento que Nós, cada um de Nós, pagamos. Chamam-nos Contribuintes, mas apenas somos Impostados. E a culpa da escravatura está nos próprios Escravos que não se alevantam em adequada revolta dos Escravos, como diria um tal de Beaumarchais. Por mim, não tenho gostar de uma qualquer dessas figurações da laicíssima trindade, ou da quadratura sem círculo, do situacionismo de sempre. Apenas gostaria de poder ser cidadão-homem-livre, procurando um melhor regime para esta república, com direito à indignação alérgica face a coveiros. Aliás, noutras eras, Portugal foi movido pelos homens sem sono. Hoje, são as mulheres e os homens sem fim-de-semana. Porque, hoje, dia do senhor, mais uma ronda, e mais uma declaração histórica de Portas. Porque Teixeira dos Santos faz as contas todas até amanhã, para o governo aprovar e entregar, logo na terça, a bendita "pen" ao Gama. As televisões mostrarão o momento histórico! E tudo como dantes, quartel-general na casta que gosta de palha de Abrantes...

3 comentários:
De joao severino a 24 de Janeiro de 2010 às 12:11
Caro Adelino Maltez

Este seu postal é genial, demonstrativo da autêntica situação de um país e de um povo que se acobarda perante os vendilhões de uma pátria sem mátria.
Cumprimentos


De Lusitânea a 24 de Janeiro de 2010 às 14:20
Gostei muito dessa parte da palha de Abrantes.Dessa eles não dispensam.Da outra que se sirvam os contribuintes...


De Anónimo a 25 de Janeiro de 2010 às 16:27
Qu'a porcaria, pá!!


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